Perfil
Luciana Genro foi a primeira líder da bancada federal do PSOL, partido que ajudou a fundar junto com Heloísa Helena. Foi deputada estadual por dois mandatos e hoje exerce seu segundo mandato como deputada federal. Sua atuação política é marcada pela combatividade e pela coerência, destacando-se pela luta contra a corrupção e pela apresentação de propostas e projetos de interesse popular. Em 2008, foi escolhida a melhor parlamentar pelo site Congresso em Foco, em votação na qual participaram milhares de internautas.
Nascida em 17 de janeiro de 1971 em Santa Maria, filha do advogado Tarso e da médica Sandra Genro, aos dois anos de idade Luciana já vivia em Porto Alegre, onde nasceu sua irmã Vanessa. Em 1988, teve seu primeiro e único filho, Fernando Marcel, com Roberto Robaina, hoje presidente do PSOL/RS. Em 1994, casou-se com o jornalista Sérgio Bueno, que já tinha uma filha, Luísa. Desde criança, Luciana respira os ares da política, seja pela trajetória do pai, que exilou-se no Uruguai logo após o nascimento da filha, ou pela história do avô Adelmo Genro, cassado pela ditadura quando era vice-prefeito de Santa Maria.
Aos 14 anos, aluna do colégio Júlio de Castilhos, na capital gaúcha, engajou-se na militância estudantil e filiou-se ao PT. Professora de Inglês, Luciana começou a trabalhar aos 17 anos. Ela vive com o marido e o filho em Porto Alegre, numa casa no bairro Tristeza, onde também moram cinco cães e duas gatas, vários deles animais de rua que foram adotados pela família.
Luciana foi eleita deputada estadual em 1994, com 17 mil votos. Seu mandato foi marcado pelas lutas contra o governo Britto e o desmonte do Estado, através das privatizações da CEEE – Companhia Estadual de Energia Elétrica e da CRT – Companhia Riograndense de Telecomunicações, e da corrupção na Corsan – Companhia Riograndense de Saneamento. Em 1998, reelegeu-se com mais que o dobro de votos e manteve a coerência mesmo tendo que fazer enfrentamentos políticos ao governo do PT. Foi nesse período que Luciana estreitou os laços com os trabalhadores em educação do Estado, ao manter-se ao lado da categoria em suas lutas em defesa do salário e da educação pública.
Em 2002, conquistou uma cadeira na Câmara Federal, obtendo quase 100 mil votos. Desde o primeiro dia de seu mandato, uniu-se à então senadora pelo PT Heloísa Helena, para combater os caminhos de capitulação do governo Lula. Junto com Heloísa, Babá e João Fontes, Luciana exigiu do governo que cumprisse os compromissos de campanha, assumidos com os trabalhadores e não com os banqueiros. Pressionados pela direção do partido, recusaram-se a calar e votar a favor da Reforma da Previdência, primeiro ataque frontal de Lula aos servidores públicos. Assim, em dezembro de 2003 os quatro parlamentares foram expulsos do PT, numa histórica reunião da direção nacional do partido, momento em que Roberto Robaina, então membro da direção, anunciou sua saída junto com os parlamentares. Com eles, milhares de militantes desfiliaram-se, e outros tantos que simpatizavam ou apoiavam o PT perceberam que ali não havia mais espaço para a esquerda coerente.
O MES – Movimento Esquerda Socialista, corrente de Luciana e Robaina, colocou-se na linha de frente da formação do PSOL. Em 2004, iniciou-se o processo de construção do novo partido, com a coleta de meio milhão de assinaturas e a conquista da legalidade em 2005. Na primeira eleição em que participou, o PSOL apresentou Heloísa Helena como candidata a presidente, obtendo mais de 7% dos votos dos brasileiros. Luciana reelegeu-se deputada federal, sendo a candidata mais votada em Porto Alegre, com mais de 185 mil votos no Estado. Em 2008, concorreu pela primeira vez a um cargo executivo, obtendo mais de 9% dos votos para a prefeitura de Porto Alegre e ajudando o PSOL a conquistar duas cadeiras na Câmara Municipal, com Pedro Ruas e Fernanda Melchionna.
Em dezembro de 2008, Luciana foi escolhida como a deputada federal que melhor representa a população brasileira, pelo site Congresso em Foco, ao lado de Fernando Gabeira. Também marcou seu mandato como membro da CPI do Apagão Aéreo, onde apresentou voto em separado denunciando a situação dos controladores de vôo e as irresponsabilidades que acarretaram o trágico acidente da TAM. Por seu trabalho na CPI, Luciana recebeu troféu da Afavitam – Associação dos Familiares das Vítimas do Acidente da TAM, e ficou conhecida com “madrinha” dos controladores de vôo.
Também integrou a Comissão da Reforma Tributária, onde apresentou um conjunto de propostas para fazer mais justo o sistema tributário brasileiro, e outra criada para discutir os efeitos da crise mundial sobre a economia brasileira. Luciana apresentou um conjunto de propostas legislativas para minorar seus efeitos sobre os trabalhadores e as finanças públicas. A defesa dos aposentados, de reajustes dignos ao salário mínimo, a luta contra a dívida pública que estrangula o país e os estados, e a denúncia permanente das medidas do governo que privilegiam banqueiros em detrimento dos trabalhadores são, entre tantos temas abordados, marcas permanentes do mandato de Luciana Genro.
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