Blog da Luciana

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Vamos brigar pelo bolo maior!

22 de março de 2010
Agora está na mão dos senadores. Vamos permitir que a Shell e outras empresas multinacionais fiquem com a maior parte dos recursos oriundos do pré-sal ou vamos comprar essa briga? Não vale a pena os estados brigarem por apenas 15% dos recursos, que é o percentual destinado aos royalties, quando o destino da maior parte pode acabar nas mãos das grandes multinacionais do petróleo. O Rio de Janeiro tem suas razões. Nenhum estado aceitaria perder recursos dessa forma. Mas é mais do que justo que TODOS os estados ganhem com o pré-sal, pois o petróleo é NOSSO, ou não é? A questão é que da forma que a lei foi aprovada, a maior parte dos recursos vai ficar é com a Shell e cia., que aliás foi a vencedora dos leilões que já aconteceram, e já adquiriu o direito de explorar 28% da área do pré-sal. A proposta que eu levei hoje à bancada gaúcha, especialmente aos nossos senadores, recupera a emenda que havia sido apresentada pelo PSOL quando da discussão do projeto na Câmara, estabelecendo que os leilões partam de um patamar mínimo de 80% dos recursos destinados à União, descontados os royalties e o custo de extração. Os royalties equivalem a 15% do total, mais 15% é o custo da extração, sobram 70%. Chega dos estados brigarem pelos 15% dos royalties, vamos brigar é pelos 70% restantes, que ninguém está debatendo para onde vão. É desse bolo que queremos garantir que 80% fique com a União, que assim terá recursos de sobra para compensar os estados prejudicados. Com a palavra, o Senado.

Justiças e Injustiças

18 de março de 2010
- Nos últimos dias recebi muitas mensagens sobre o assunto dos concursos por ter anunciado que o PSOL estava estudando entrar com um requerimento de súmula vinculante junto ao STF para obrigar a nomeação dos aprovados em concursos, pelo menos no número de vagas anunciado no edital. O estudo da nossa assessoria jurídica concluiu que seria arriscado o pedido pois a jurisprudência está longe da unanimidade neste tema. Resolvi então apresentar um projeto de lei, protocolado ontem sob o número 6991/10. É preciso acabar com a indústria dos concursos sem nomeação. Para barrar a outra manobra para não nomear, o concurso para o chamado "cadastro reserva" já há projeto proibindo o concurso exclusivo para cadastro reserva aprovado no Senado e está tramitando na Câmara. - Corretíssma a decisão do STF de determinar que o SUS tem obrigação de bancar tratamentos, procedimentos e medicamentos para quem não tem condições de pagar. É uma questão de justiça. O direito à luta pela vida não pode ser proporcional ao tamanho da conta bancária. Já basta de assistirmos na tv os dramas de mães e pais que buscam arrecadar recursos para tentar salvar a vida de seus filhos. Tratamento de saúde digno é direito humano básico. - Injustiça com os aposentados do Aerus, o fundo de pensão da Varig. Pessoas idosas, muitas doentes, tiveram a suas aposentadorias cortadas drasticamente devido à situação falimentar do Aerus. Ocorre que o governo federal não aceita pagar o que deve à velha Varig, o que possibilitaria que esta pagasse suas dívida com o Aerus e este com os aposentados e pensionistas. Uma decisão liminar havia determinado ao governo que pagasse a complementação, mas o STF derrubou. Mais uma decepção na difícil caminhada rumo à justiça.

Quem ganha com a briga entre os estados?

17 de março de 2010
A polêmica envolvendo a distribuição dos royalties do Pré Sal, instalada pela aprovação da chamada emenda Ibsen, está deixando de lado um aspecto fundamental da questão. A briga está restrita a cerca de apenas 15% dos recursos, que é a fatia dos royalties. Outros 15%, mais ou menos, é o custo da extração. Sobram 70% dos recursos que serão gerados pelo pré sal e que ninguém está debatendo para onde vão. Na verdade esta fatia, a maior, será distribuida entre o governo federal e a empresa que vencer o leilão para exploração de cada área. Mas quem decide qual o tamanho da fatia que vai para a União, e qual vai para a empresa vencedora do leilão ( Shell, Texaco, etc..)? Será definido em cada leilão, onde, sabe-se, as grandes multinacionais do petróleo constituem um grande cartel. A União pode acabar com apenas 1% deste total pois não há mínimo previsto na lei! O PSOL havia apresentado uma emenda ao projeto original do governo, determinando que os leilões devem começar com um mínimo de 80% desta fatia destinada à União. Esta é média mundial. Mas nossa emenda foi rejeitada. O Senado pode rever esta decisão da Câmara, estabelecendo este mínimo de 80% para a União, e tirar daí os recursos para ressarcir os Estados produtores que perdem com a partilha universal dos royalties. Mas quais parlamentares terão coragem de se opor aos interesses da Shell? Aliás, foi esta empresa que ganhou as licitações das áreas do pré sal que já foram licitadas pelas regras antigas instituidas por FHC, de concessão e não partilha. Na verdade estamos discutindo sobre 72% do pré -sal pois 28% já estão nas mãos da Shell. E por fim, é preciso dizer que no ano passado o governo desviou R$20 bilhões dos recursos arrecadados em royalties de petróleo, usando para pagar a dívida pública e não para os investimentos determinados por lei. O Rio de Janeiro chora por R$ 5 bilhões, e está no seu direito. Mas não seria melhor brigar com o governo federal e deixar os demais Estados também ganharem com esta riqueza que, afinal de contas , pertence a todos os brasileiros?

Mulheres, filhos e política

No Dia Internacional da Mulher muito se discute as razões pelas quais há tão poucas mulheres ocupando cadeiras no Legislativo, no Executivo ou no comando dos partidos. Fala-se na dicriminação, verdadeira. Fala-se que as mulheres têm menos estômago para aguentar o balcão de negócios, o toma-lá-dá-cá, a corrupção. Isso também é verdadeiro. Algumas se adapatam e nadam de braçada nesse mundo podre, caso da nossa governadora do RS, Yeda Crusius. Mas a grande maioria acaba se afastando, enojadas com a sujeira. Outras resistem, e junto com outros homens da mesma estirpe mostram que é possível fazer política de uma outra forma. Mas eu queria falar de uma razão mais básica que afasta as mulheres da política: quantas têm um marido que aceita, apoia e colabora para que ela, depois do trabalho, na hora em que estaria em casa, cuidando dos filhos, ou na ausência destes, "cuidando" do marido, que ela vá para uma reunião com um bando de homens?? Quantos maridos diriam "vá tranquila que eu faço a janta e ponho as crianças na cama"? E no caso de termos esse marido, companheiro, ou mãe, sogra ou mesmo empregada, quantas de nós não nos incomodaríamos de algumas noites por semana chegar em casa já com os filhos dormindo? Eu vivi isso. Tive um filho com 17 anos, no auge da minha militância política. Era um drama. O drama de ter com quem deixar, o drama de deixar ele chorando, de chegar tarde e não vê-lo naquele dia. Como resolver isso? Primeiro uma mudança cultural, que cabe a nós mulheres também. A responsabilidade com a casa e os filhos tem que ser compartilhada. Hoje já temos muitos homens que ajudam as suas companheiras, mas poucos que assumem a responsabilidade juntos. Não só a responsabilidade financeira, mas a afetiva fundamentalmente. Além disso precisamos de creches noturnas, para quem não tem com quem contar para deixar os filhos. Precisamos que os partidos ofereçam espaços, e cuidadores(as) para as mães que fazem política levarem suas crianças e ficarem tranquilas. Já avançamos muito, mas ainda temos um longo caminho a percorrer.

Policiais: lição de unidade

4 de março de 2010
Os policiais gaúchos deram uma lição de unidade. Nem a pesquisa feita pelo Comando nos quartéis, com pressões e intimidações, desfez a união da corporação e seu respaldo às entidades que estão negociando em nome de todos. É impressionante a deteminação em não aceitar reajustes diferenciados, especialmente o que beneficia os mais altos escalões. Coincidência ou não, aqui em Brasília os policiais também colocaram o PT e o PSDB em uma saia justa. Arrancaram a aprovação de parte da PEC 300, que garante o piso de R$ 3.500 para policiais e bombeiros, criando um fundo com recursos federais para ajudar os estados a pagar esse aumento. Algo plenamente factível se levarmos em conta que no ano passado o Brasil pagou R$ 380 bilhões em juros e amortização da dívida pública, e que a aprovação total da PEC custaria cerca de R$50 bi ao ano. Mas para quem acha, como o PT e o PSDB, que os juros da dívida são "sagrados" esse valor é impagável. Ontem a crise era grande, pois milhares de policiais permaneceram em Brasília para garantir a conclusão da votação. Nem o governo e nem o PSDB queriam aprovar, mas ao mesmo tempo sabiam que era impossível votar contra. Acabaram fazendo manobras de plenário e não concluindo a votação. O fato mais importante é que a luta conseguiu pautar a Câmara. A mobilização obrigou os parlamentares a aprovar algo que as cúpulas não queriam sequer colocar em pauta. O que vai acontecer agora não sabemos, pois a direita pode estar manipulando o movimento. O certo é que a possiblidade dos policiais arrancarem alguma conquista desse processo existe, e que a maior delas já foi obtida: o aprendizado de que a união faz a força, e como!
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