Blog da Luciana

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O PSOL não rachou nem vai rachar

12 de abril de 2010
Quem está comemorando um suposto racha do PSOL, anunciado por alguns órgãos de imprensa, pode tirar o cavalinho da chuva. O bloco que apoiou Martiniano Cavalcante nas internas do PSOL não é irresponsável e sabe que nossos inimigos são Dilma e Serra. É contra eles que vamos dirigir nossa artilharia. Plínio de Arruda Sampaio obteve uma vitória que poderia ser até mesmo questionada na justiça. Seus apoiadores, com uma ligeira maioria na Executiva e no Diretório Nacional do partido, passaram por cima da base partidária e simplesmente anularam plenárias que elegeram delegados de vários estados, e colocaram sob júdice a eleição de outros tantos, inclusive aqui no RS, na cidade de Viamão. Uma decisão sem nenhum fundamento jurídico, muito menos político. Martiniano Cavalcante tinha a maioria dos delegados eleitos na base. Plínio só ganhou por que houve a impugnação, injusta, de vários que apoiariam Maritiniano. E por que Babá, contrariando o que havia dito em vários debates, retirou sua candidatura para apoiar Plínio.Entretanto, a quem serviria agora o PSOL entrar em uma guerra fratricida? Somente àqueles que desejam ver a esquerda enfraquecida, dividida e alijada dos reais debates políticos do país. Não vamos cair nessa armadilha. Plínio será o candidato de todo o PSOL. Como já escreveu nosso presidente estadual, Roberto Robaina, em seu blog, aqui no RS nossa principal tarefa será a campanha de Pedro Ruas, junto com as campanhas proporcionais, nas quais temos o desafio de ampliar nossa representação na Câmara dos Deputados e conquistar representação na Assembleia Legislativa. Nossa prioridade nacional deve ser a eleição de Heloísa Helena senadora, o que vai nos possibilitar ter novamente uma voz contundente no Senado. Não temos mais tempo para brigas internas. É hora de todo o PSOL ir para a rua falar com o povo!

Olhando além da cortina de fumaça

6 de abril de 2010
A briga da Polícia Civil com o Ministério Público Estadual está funcionando como cortina de fumaça para que não se enxergue o mais importante. Está evidente que a Polícia apressou-se em concluir o inquérito e errou. Estive ontem na coletiva do MP, e as razões apresentadas por eles são muito contundentes. Mas também me impressionou o empenho da procuradora Lucia Callegari e do subchefe do MP, procurador Delmar Pacheco da Luz, em inocentar Eliseu. Ela disse que Eliseu "tomou medidas enérgicas contra a empresa Reação", mas esqueceu de dizer que essas medidas só foram tomadas depois que o escândalo veio a público. O dr. Delmar insitiu na abertura do encontro em que não se pode fazer uso "político partidário" do crime, mas quando um jornalista perguntou à procuradora o que ela quis dizer quando afirmou que Eliseu tinha "informação privilegiada" sobre a corrupção na Secretaria da Saúde, o procurador Eugênio Amorim respondeu que a investigação deles não era sobre a corrupção e que portanto não poderiam falar sobre o tema, Delmar Pacheco da Luz pulou. Apressou-se em dizer que não paira nenhuma dúvida da inocência do secretário em relação à corrupção na Secretaria. E fez, assim, exatamente o que disse que não deveria ser feito: uso político partidário. Mas como assim? A investigação do MP não foi sobre a corrupção na Secretaria, mas sim sobre o assassinato do secretário, como então afirmar que ele era inocente num tema que não foi objeto da investigação? Pode ser que ele realmente tenha sido morto por que acabou com o esquema, mas também pode ser que ele tenha sido morto por que se beneficiou do esquema e depois traiu seus comparsas, quando o escândalo veio à tona. Assim como também pode ser que o prefeito Fogaça nada soubesse, mas também é possível que ele tenha se beneficiado do dinheiro desviado. Eu tenho a minha opinião sobre essas questões, mas o que a sociedade gaúcha quer não são opiniões, nem as minhas e nem as dos procuradores. Quer é a verdade. A verdade não só sobre a morte do secretário Eliseu Santos, mas a verdade sobre os esquemas de corrupção que aconteceram na Secretaria da Saúde durante a gestão de Eliseu Santos, durante o governo de um dos que pretende governar o Rio Grande do Sul. Já são dois os esquemas que vieram à tona: a propina paga pela Reação ao assessor do secretário e os desvios do Instituto Sollus, escolhido por Eliseu para gerir os postos de Saúde da Família. Esses são fatos. Que o secretário morreu por causa de um deles também já é evidente. Falta apurar as responsabilidades, dele, e principalmente do então prefeito Fogaça. Por isso a CPI na Câmara de Vereadores é imprescindível.

31 de março de 1964: feridas que ainda sangram

31 de março de 2010
Hoje é dia de lembrar um dos episódios mais odiosos da vida política do nosso país: o golpe militar de 64, e a longa noite que seguiu-se. Ditadura, repressão, torturas, desaparecimentos. Mais de 25 anos passaram-se desde que a ditadura militar chegou ao fim, mas muitas feridas continuam abertas e sangrando. Segue drama das famílias dos desaparecidos políticos que jamais tiveram o direito de concluir o rito de passagem da perda de seus entes queridos. Segue o drama daqueles que sobreviveram ao regime, mas que jamais se recuperaram das prisões e torturas físicas e psicológicas a que foram submetidos. A reparação pecuniária jamais vai ser uma verdadeira compensação pelo sofrimento. A luta pelo direito à verdade e à justiça continua sendo um desafio para garantir que esse triste episódio da vida nacional jamais se repita. É um marco nessa luta a ação de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, feita pela OAB nacional e que está aguardando julgamento no Supremo. Ali ela questiona a constitucionalidade da lei da Anistia (6.683/79) e pede "uma interpretação conforme à Constituição, de modo a declarar, à luz dos seus preceitos fundamentais, que a anistia concedida pela citada lei aos crimes políticos e conexos não se estende aos crimes comuns praticados pelos agentes da repressão conta opositores políticos, durante o regime militar (1964-1985)". Vários foram os países da América Latina que puniram seus torturadores, pois a sociedade exigiu, mobilizada. Aqui, as vozes nessa direção foram poucas, mas estão aumentando. Seguiremos exigindo o direito à verdade e à justiça!

Fogaça sai e deixa rombo de R$ 10 milhões

30 de março de 2010
Fogaça sai da prefeitura, embora tenha dito na campanha que ficaria até o final do mandato. Quantos eleitores, se soubessem que ele entregaria a prefeitura ao Fortunati, não teriam mudado seu voto? Mas, na minha opinião, esse não é o fato mais grave. O problema maior é que Fogaça sai sem dar explicações sobre o rombo de R$ 10 milhões nos cofres púbicos, desviados da saúde pelo Instituto Sollus. Contratado sem licitação e bancado pelo falecido secretário da Saúde Eliseu Santos, o Sollus é uma organizção de São Paulo, sem referências na área e que já tinha a Polícia Federal no seu encalço. Mas Fogaça não ouviu os alertas da sociedade, e contratou o instituto sem licitação. O Ministério Público Federal foi alertado das irregularidades pelo Conselho Municipal de Saúde, e a Operação Pathos, da Polícia Federal, desbaratou a quadrilha. Mas antes disso, em outubro de 2007, o Ministério Púbico Estadual instaurou processo investigatório e recomendou à prefeitura a suspensão imediata dos repasses para a Sollus. Mas a prefeitura prosseguiu com o convênio. A ruptura só aconteceu em agosto de 2009! Fogaça não tem como dizer que não sabia. Ele foi advertido pelo Tribunal de Contas do Estado, que fez o levantamento do uso de notas falsas na prestação de contas. Já a Operação Pathos, desencadeada em janeiro deste ano pela Polícia Federal, detectou a contratação irregular do instituto e o desvio de recursos oriundos do Fundo Nacional da Saúde, por meio de falsas prestações de serviços fora da área da saúde, como honorários advocatícios, consultorias, palanejamento, assessorias, marketing, propaganda, palestrantes. Tudo com emissão de notas fiscais falsas. Tudo com o dinheiro que faz uma falta enorme nos postos de saúde. Fogaça vai embora sem dizer nada?

Conferência vitoriosa

A conferência eleitoral do PSOL realizada ontem em Porto Alegre demonstrou a vitalidade de um partido que tem debate político e não hesita diante dos desafios. Confirmar o nome de Pedro Ruas como pré-candidato a governador é uma ousadia. Seria muito mais fácil lançá-lo a deputado estadual, a cadeira estaria assegurada. Mas o partido, consciente de que sua obrigação é oferecer uma alternativa real de poder no Estado, confirmou Ruas como nosso pré-candidato a governador. Rosane de Oliveira definiu que Ruas será um "franco-atirador" na campanha eleitoral. Não vou tomar a expressão como pejorativa, mas sim como definidora de que nosso pré-candidato não tem o rabo preso, por isso pode ser franco e atirar em todos os que têm que dar explicações. Fará isso, com certeza. A colunista da ZH reconheceu também que mesmo sem ter deputados estaduais o PSOL foi o principal algoz de Yeda. Nada mais verdadeiro. Isso se chama iniciativa política. E foi essa iniciativa, essa atuação marcante e constante que foi vitoriosa na conferência eleitoral de ontem. A vitória da nossa tese e a confirmação de Ruas demonstrou que a atual direção do partido, encabeçada por Roberto Robaina, tem o respaldo e o reconhecimento da ampla maioria da militância partidária. Agora é mãos à obra. Vamos organizar nossa campanha, colocar o nome de Pedro Ruas com força nas ruas, garantir a ampliação da nossa representação parlamentar em Brasília e assegurar nossa bancada na Assembleia Legislativa.

Hoje é o aniversário de Porto Alegre!

26 de março de 2010
O aniversário de uma cidade é uma homenagem aos seus moradores, que vivem suas agruras e belezas. Parabéns, moradores de Porto Alegre! Todas as semanas, quando volto de Brasília, me emociono olhando a nossa cidade lá do alto. Eu praticamente nasci aqui, pois vivo em Porto Alegre desde os 2 anos de idade. Sempre morei aqui, nunca quis ficar longe. Acabei sendo deputada federal, e numa rotina que já leva 8 anos da minha vida, toda semana viajo para Brasília. Isso só fez aumentar a minha paixão pela cidade. Adoro voltar prá casa. Claro que o amor que a gente sente por uma cidade é proporcional ao amor que a gente tem pela vida que leva nela. Mas Porto Alegre, eu acho, tem um encanto especial. Ela é grande e pequena ao mesmo tempo. Tem cinemas, shoppings, edifícios. Tem também as coisas ruins das grandes cidades, é verdade. Tem gente que vive muito mal, em barracos sem saneamento, tem violênca, assaltos, congestionamentos. Mas Porto Alegre também tem aquela coisa boa da cidade pequena. Tem a esquina democrática, onde a gente pega o microfone para falar e sempre pára gente para ouvir. Na zona sul tem gente que toma chimarrão na calçada, que caminha pela rua tranquilamente, que olha o por-do-sol e se encanta. Tem o brique, a Cidade Baixa, onde a gente encontra os conhecidos, tem o Teatro São Pedro, a calçada da fama, o Parcão. Cada um vive a cidade que lhe cabe, mas o que cabe a cada um não é distribuído com justiça. Por isso, em mais este aniversário da cidade, reafirmamos o nosso compromisso de seguir lutando para que esta linda e acolhedora cidade seja mais democrática na distribuição da sua beleza para todo o povo que nela vive, trabalha e luta.

Salário igual para trabalho igual

25 de março de 2010
Para encerrar o mês de março, dedicado à luta das mulheres pelo fim das discriminações, apresentei um projeto de lei que busca punir uma das formas mais odiosas de discriminação contra as mulheres: os salários diferentes para funções iguais. Parece mentira, mas estudos realizados pelo IBGE em 2008 demonstram que, em média, o rendimento das mulheres equivale a 71,3% do recebido pelos homens. O aumento do nível de escolaridade não diminui, mas ao contrário, aumenta a discriminação. Mulheres com nível superior recebem 60% do rendimento dos homens na mesma situação. O projeto, construído em parceria com a ANFIP - Associação Nacional dos Fiscais da Previdência busca instituir mecanismos de fiscalização através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social que conterá três campos adicionais: relativo à qualificação do cargo referente a cada trabalhador ou trabalhadora, relativo à carga horária mensal de cada trabalhador ou trabalhadora e relativo ao sexo do trabalhador ou trabalhadora. Dessa forma, a partir de um aplicativo informatizado a Receita Federal poderá, em tempo real, fiscalizar a igualdade de salários/hora entre homens e mulheres. Mas fiscalizar sem punir não resolve. Então estabelecemos uma multa com o pagamento, à funcionária, de valor equivalente a dez vezes a diferença acumulada praticada, devidamente atualizada monetariamente, além das contribuições previdenciárias correspondentes. A aprovação dessa proposta será, com certeza, um passo à frente na luta contra a discriminação da mulher no mercado de trabalho.

Que democracia é esta?

24 de março de 2010
O jornal O Globo de hoje relata que o PT monta uma campanha milionária para a sua pré-candidata Dilma Roussef. O salário dela será R$ 17.800,00 por mês. O aluguel de uma casa no Lago Sul, para a sua moradia em Brasília, sairá por R$ 12 mil. Será realizado ainda um contrato com empresa de jatos executivos, o aluguel de um andar inteiro em um hotel onde funcionará o escritória da pré-candidata, mais o aluguel de dois andares em um prédio para o comitê, e locação de carros para a pré-candidata e seus seguranças. Isso é apenas o que se chama de "pré-campanha", que deve chegar a cerca de R$ 250 mil em três meses, segundo o jornal. Mas o presidente do PT, José Eduardo Dutra, diz que esses gastos são "peanuts", amendoins em inglês, o que significa, digamos assim, "troco" pois o grosso das despesas será na campanha, com rádio/TV e material gráfico. O Globo não revela nada sobre a pré-campanha de Serra, mas esta certamente não ficará atrás da de Dilma. Diante dessa realidade, como podemos afirmar que o Brasil vive mesmo uma verdadeira democracia? Como se pode fazer uma disputa justa diante de tamanha desiguladade? O PSOL não terá nada próximo a essa estrutura. Nem em nível nacional, muito menos estadual, com nosso Pedro Ruas. As campanhas milionárias distorcem os resultados pois vendem um produto através de marqueteiros pagos a peso de ouro. Eu vivi essa realidade na disputa pela prefeitura de Porto Alegre. Por isso defendemos o fim do financiamento privado das campanhas. Também defendemos um teto de gastos para as campanhas, que seja compatível com a possibilidade de fazer uma boa divulgação dos candidatos mas que não permita o abuso do poder econômico.
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