Blog da Luciana

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Notícias de Brasília: aposentados, Ficha Limpa e Lei da Anistia

29 de abril de 2010
Segue a novela dos 7% ou 7,71% de reajuste. O governo insiste nos 7% mas a oposição barganha um pouquinho mais. Ainda não há acordo para votar pois os deputados não querem votar um percentual que depois será revisto pelo Senado. O problema é que a verdadeira reivindição dos aposentados não está sendo discutida. É o fim do fator previdenciário e a revinculação com o reajuste do salário mínimo. Neste ano, por exemplo, o salário mínimo aumenta 9,68% enquanto os aposentados que ganham acima do mínimo ficarão com no máximo 7,71%. Assim vão perdendo poder aquisitivo, quem se aposenta ganhando 5 salários em pouco tempo está ganhando 3, 2, 1... Já o fator previdenciário faz o corte na largada da aposentadoria. Talvez não haja nada mais unânime na sociedade brasileira do que o fim do fator. O governo não deixa votar por isso. Seria aprovado. O relator na CCJ, deputado José Eduardo Cardozo, propôs emendas que desfiguram bastante o projeto. Ele quer que o cidadão condenado em segunda instância, ao fazer o recurso, possa obter um efeito suspensivo, o que permitiria a sua incrição como candidato. Não houve a votação devido a pedidos de vistas. Michel Temer está prometendo votar a urgência em Plenário na terça-feira, e se aprovada, já seria votado o projeto, independente da CCJ. A questão é que versão da proposta vai prevalecer. Começou o jugamento da Ação de Descumprimento de Preceito Constitucional apresetada pela OAB contra a interpretação da Lei de Anista (1979) que impede o julgamento e punição de torturadores e assassinos da ditadura militar. Vejam no meu blog de ontem uma análise do tema. O ministro Eros Grau leu seu voto, contra a OAB, mas os demais ministros ainda vão se pronunciar. No STF, uma vitória contra os torturadores é muito difícil, mas vamos seguir atentos ao tema pois ele não se encerra no STF. No dia 20 de maio a Corte Interamericana de Direitos Humanos vai julgar um processo contra o Brasil devido aos desaparecimentos na Guerrilha do Araguaia. Ali sim deve haver condenção, e uma exigência de revogação dos obstáculos ao julgamento e punição dos torturadores.

Decisão histórica no STF

28 de abril de 2010
O julgamento da ADPF da OAB ainda está em andamento mas deixo aqui algumas reflexões sobre o tema pois lá estive acompanhando o início dos debates. Os argumentos expostos pelo jurista Fábio Konder Comparato em nome da OAB e também pelas entidades que lá estavam na condição de amicus curi da ação da OAB são contundentes. Comparato começou perguntando se é lícito e honesto que os governantes e subordinados que tenham mandado ou executado crimes de incomum violência fiquem impunes graças a uma lei que lhes concedeu uma auto anistia? Uma pergunta a ser respondida, não só pelo STF, mas pela sociedade brasileira. Os representantes do governo Lula que usaram da palavra – a AGU e a Procuradoria Geral da República – o fizerem contra a OAB, e seu principal argumento foi a intenção do legislador ao fazer a lei. Falaram até de um amplo debate na sociedade, da luta de artistas e cidadãos pela anistia ampla geral e irrestrita, como se a luta da sociedade brasileira por anistia tivesse sido para garantir impunidade aos torturadores. A bandeira da anistia ampla geral e irrestrita era para garantir que ela atingisse aqueles que participaram da guerrilha e não para os agentes públicos que em nome do Estado prenderam os supostos criminosos e depois, à revelia das leis deste mesmo Estado que eles defendiam, torturaram, mataram ou despareceram com aqueles que estavam sob sua tutela. Que grande debate teria sido esse, se a abertura foi totalmente controlada pelos militares, e a lei, votada em 1979, ainda em um ambiente repressor, sem nenhuma liberdade para a divergência, com um Congresso totalmente controlado pela ditadura e ainda com senadores biônicos? Toda lei anterior à Constituição só é recepcionada por ela quando não viola seus preceitos fundamentais. Comparato lembrou que o próprio STF revogou a lei de imprensa, que é de 1967, em 30 abril de 2009, reconhecendo que ela violava os preceitos fundamentais da Constituição de 88. O preceito fundamental da nossa Constituição que está sendo violado é o que declara a tortura como crime inafiançável e imprescritível. Então, mesmo que a lei tivesse de fato concedido a anistia aos agentes públicos que mataram e torturaram, ela teria perdido a sua validade a partir da constituição de 88. Mas a questão é que a própria lei não teria incluído os torturadores e assassinos na sua abrangência. Ela fala em crimes políticos ou conexos. Nesse caso a pergunta é: os crimes praticados pelos agentes de repressão têm caráter de crime político ou são conexos a esses?

Aposentados: 0,71% a mais é manobra para não votar o que importa

27 de abril de 2010
As centrais sindicais, que à revelia do desejo da esmagadora maioria dos aposentados deste país, fizeram um acordo com o governo sepultando o projeto do senador Paim que dá fim ao fator previdenciário e refaz a vinculação entre o reajuste do mínimo e das aposentadorias, agora querem "mostrar serviço" e lutam por um reajuste 0,71% maior do que o governo quer dar. É brincadeira! Toda essa pressão, a qual se somam inclusive partidos da base do governo, seria muito mais útil se fosse canalizada para votar os projetos do Paim. Basta que sejam postos em votação. Nem precisa fazer acordo pela aprovação, pois lá na Câmara até as poltronas sabem que se esses projetos forem à votação serão aprovados. Lembram da polêmica em torno das votações em ano eleitoral? Pois é, na verdade o governo conseguiu barrar todos os projetos importantes, principalmente esses. Nada que seja realmente importante ao povo vai para a pauta antes das eleições. O senador Paim já cumpriu um papel importante ao apresentar e conseguir aprovar os projetos no Senado. Terá muitos votos - e é provável que consiga a reeleição - graças à luta em defesa dessas causas. Mas agora é a hora de usar sua popularidade e principalmente o fato dele ser do PT - justamente o partido que está segurando essa votação - para exigir a votação dos projetos. Os aposentados não querem só 0,71% de aumento a mais. Querem o fim do fator e reajuste igual ao mínimo. Essa é a luta, não adianta manobrar!

Salvar Brasília e o Brasil

22 de abril de 2010
Ontem foi o anivérsário de 50 de Brasília. Politicamente a cidade segue em um impasse. O novo governador eleito e recém empossado, Rogério Rosso, do PMDB, já enfrentou protestos. Suas vinculações com Arruda e Roriz são bem conhecidas e dos 13 deputados que lhe deram a vitória, pelo menos 10 são investigados por irregularidades. O Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, segue defendendo a intervenção no Distrito Federal, mas o STF parece surdo e o governo Lula também não quer esta responsabilidade. Resta a única alternativa: o povo tomar a política em suas próprias mãos e exigir mudanças. Isso poderia acontecer já, através da intensificação da mobilização, mas esta não parece a hipótese mais provável. O nível de cetiscismo é tão alto que fica cada vez mais difícil fazer as pessoas se mexerem, principalmente em Brasília. O grupo de estudantes que protestou ontem foi heróico. Mas as eleições também serão uma oportunidade para o povo tomar a política em suas mãos. Não só em Brasília, no país inteiro. Se o fenômeno que criou e fortaleceu o Projeto Ficha Limpa se repete e se amplia nas eleições os resultados podem ser melhores do que o esperado. Ontem foi o aniversário de 50 anos de Brasília. Politicamente a cidade segue em um impasse. O novo governador eleito e recém empossado, Rogério Rosso, do PMDB, já enfrentou protestos. Suas vinculações com Arruda e Roriz são bem conhecidas e, dos 13 deputados que lhe deram a vitória, pelo menos 10 são investigados por irregularidades. O procurador geral da República, Roberto Gurgel, segue defendendo a intervenção no Distrito Federal, mas o STF parece surdo e o governo Lula também não quer essa responsabilidade. Resta a única alternativa: o povo tomar a política em suas próprias mãos e exigir mudanças. Isso poderia acontecer já, através da intensificação da mobilização, mas essa não parece a hipótese mais provável. O nível de ceticismo é tão alto que fica cada vez mais difícil fazer as pessoas se mexerem, principalmente em Brasília. O grupo de estudantes que protestou ontem foi heróico. Mas as eleições também serão uma oportunidade para o povo tomar a política em suas mãos. Não só em Brasília, no país inteiro. Se o fenômeno que criou e fortaleceu o Projeto Ficha Limpa se repete e se amplia nas eleições os resultados podem ser melhores do que o esperado.

Companheiros do PSTU, façamos o debate programático!

16 de abril de 2010
Ontem encontrei o companheiro Zé Maria, pré-candidato a presidente pelo PSTU, no ato dos servidores federais em Brasília. Sempre muito gentil, Zé Maria veio me cumprimentar e dizer que havia solicitado uma reunião com Plínio de Arruda Sampaio, o pré-candidato do PSOL, mas não havia ainda recebido um retorno. Eu questionei se o objetivo da reunião seria comunicar ao PSOL que o PSTU não fará a Frente de Esquerda, pois circula pela internet um texto de Eduardo Almeida, dirigente nacional do PSTU, com essa notícia. Ele confirmou a autencidade do texto. Não sei se vocês leram, mas o PSTU está tentando culpar o PSOL pela sua decisão de não fazer a Frente. Como eu já havia lido o texto, e fiquei bastante indignada com essa manobra do PSTU, aproveitei a oportunidade para dizer ao Zé Maria que se eles não querem fazer a Frente, que arranjem outra desculpa pois essa história de que "não vai existir um PSOL, mas dois partidos na campanha eleitoral. Um deles apoiando Plínio, outro fazendo campanha sem candidato a presidente", escrita por Eduardo Almeida, é absolutamente falsa. O bloco que apoiou Maritiniano teve a grandeza e a responsabilidade de declarar desde o primeiro momento que apesar de nossos problemas internos, Plínio será o candidato de todos. Aliás, eu mesma escrevi neste blog, no dia seguinte à escolha de Plínio, que aqueles que torcem pelo racha do PSOL podem "tirar o cavalinho da chuva".

Neida e Fernanda processadas: Era só o que faltava!

A notícia de que a 5a Vara Criminal acolheu denúncia do Ministério Público Estadual contra a vice-presidente do CPERS, Neida Oliveira, e a vereadora do PSOL Fernanda Melchionna demonstra a fragilidade da democracia em que vivemos. É evidente que esse é um processo de perseguição política. As duas simbolizam os dois principais algozes da governadora nos últimos anos: O CPERS/Sindicato e o PSOL. Foi a partir das denúncias do PSOL que o CPERS e o Fórum dos Servidores iniciaram um longo processo de mobilização que culminou na denúncia contra a governadora feita pelo Ministério Público Federal e na votação do pedido de impeachment da governadora. Impeachment que foi rejeitado por uma Assembleia Legislativa dominada pelos mesmos partidos envolvidos nos escândalos denunciados. Yeda ficou paralisada durante quase dois anos, só se defendendo das inúmeras acusações feitas pelo PSOL e depois confirmadas pelo Ministério Público Federal. Mesmo assim ela conseguiu sobreviver, e agora quer vingança. Não tenho nenhuma dúvida que foram as pressões da governdora que levaram o Ministério Público Estadual e a Justiça a acatar essa denúncia absurda. Absurda não só por que não houve impedimento na entrada e saída das pessoas da casa da governadora, mas principalmente por que é uma clara tentativa de criminalizar uma luta, e criminalizar uma luta contra a corrupção, em defesa do interesse público. E agora, ao invés de perseguir criminosos e cassar corruptos, o Ministério Público Estadual e a Justiça gaúcha vão criminalizar quem defende o interesse público? Era só o que faltava!
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