Blog da Luciana

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Yeda se salva

20 de outubro de 2009
Apesar do repúdio maciço ao seu governo e da maioria esmagadora da população saber que as denúncias de corrupção são verdadeiras Yeda vai escapar do impeachment. Ao meu ver, por vários motivos, todos eles relacionados entre si: não houve mobilização suficiente da sociedade. Mesmo repudiando a governadora, os gáuchos não saíram às ruas para protestar. Apesar dos esforços do PSOL, do CPERS/Sindicato, do Fórum dos Servidores, as mobilizações foram pequenas. As pessoas não acreditaram que era possível derrubá-la, e a banalização da corrupção também gera imobilismo. O PT não ajudou. O maior partido de oposição à Yeda não mexeu uma palha para derrubar Yeda, preferindo o desgaste lento, para que pudessem capitalizar nas eleições. Seu candidato a governador e seu presidente estadual - as duas maiores figuras do PT no Estado - nada disseram sobre o impeachment. Ao não haver mobilização da sociedade, a base de sustentação de Yeda, apesar das crises, permaneceu unida. Isso aconteceu também por que todos os partidos da base (PSDB, PMDB, PP e PTB) estão envolvidos nas falcatruas, seja na operação Rodin, seja na Solidária. Cortar a cabeça da governadora seria arriscar o seu próprio pescoço também. A Justiça também não ajudou, o que não surpreende, pois até Collor de Mello foi absolvido judicialmente. A Assembleia Legislativa não cumpriu seu papel de fiscalizadora do executivo. Foi omissa, covarde e cúmplice. De nossa parte, estamos de consciência tranquila. Fizemos as denúncias, lutamos para que elas fossem devidamente apuradas, promovemos a mobilização. Nossa luta contra a corrupção e o demsonte do Estado vai seguir, tanto no cotidiano da nossa atuação política como também na batalha eleitoral que se avizinha. Pedro Ruas, nosso Dr. Impeachment, se apresentará como candidato a governador e vai mostrar que é possível tirar o Estado da lama e investir no que realmente importa aos cidadãos. Também tenho certeza que a próxima legislatura da Assembleia vai contar com uma aguerrida bancada do PSOL, encabeçada por Robaina, que foi uma peça fundamental em todo o trabalho feito por Pedro Ruas e por mim na luta contra Yeda. A última palavra será dos gaúchos.

Heloísa Helena Senadora?

Ontem a Agência Estado publicou matéria sobre um assunto que vem sendo discutido no PSOL há algum tempo: a possibilidade de Heloísa Helena não se candidatar a presidente de República mas sim ao Senado. As opiniões a respeito variam bastante. Muitos acham que a saída dela da disputa presidencial vai enfraquecer muito o PSOL no processo eleitoral pois não temos, é verdade, um nome à altura para substituí-la. Por outro lado, o fato dela estar em primeiro lugar nas pesquisas para senadora faz com que outros pensem que não vale a pena abrir mão de um mandato de 8 anos em troca de uma disputa presidencial que dura 3 meses e cujas chances de vitória são próximas de zero. Eu considero que ambos os pontos de vista são legítimos e contêm verdades incontestáveis. Eu, se pudesse escolher, gostaria de ter Heloísa disputando a Presidência, mas, confesso, fico muito animada com a possilbidade dela voltar ao Senado. Sua presença lá fará uma diferença enorme, não só para o PSOL, mas para o país. O que o partido não pode é abrir mão de ter candidatura própria. Como vamos lidar com a candidatura de Marina, que certamente vai atrair uma parte do nosso eleitorado - ainda mais se Heloísa não for candidata - é uma questão a ser debatida mais à frente, quando tivermos mais claro o perfil que Marina vai imprimir à sua campanha. Por enquanto, Heloísa segue sendo a nossa candidata natural à Presidência da República, e o debate interno sobre quem poderá eventualmente substituí-la nessa tarefa está começando. Assim como Heloísa , meu favorito também é o Milton Temer, jornalista, ex-deputado pelo RJ, cuja trajetória de décadas de militância combativa e coerente permitirá ao PSOL mostrar que, para além de Heloísa, temos quadros da mais alta qualificação política para defender o nosso programa.
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