Blog da Luciana

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Empresas poluidoras fazem lobby com sucesso contra redução das emissões de gases estufa

11 de novembro de 2009
Faltam 25 dias para a conferência de Copenhague, que deve estabelecer um acordo para reduzir a emissão de gases-estufa, principais responsáveis pelo aquecimento global que ameaça o planeta. Manifestantes têm se reunido diante do Centro de Convenções da ONU, em Bancoc, onde ocorrem as conversas preparatórias à convenção, que acontecerá em Copenhague no dia 7 de dezembro. Os protestos são pelo pouco engajamento dos países, manifestado nas negociações. O Brasil também não está colaborando como deveria. Depois de ter sinalizado que evitaria um compromisso ambiental, o governo Lula recuou diante das pressões e deverá estabelecer uma meta "voluntária", que pode ser de 40% de redução até 2020. O lobby das empresas poluidores é muito forte, que vão aos encontros internacionais para convencer os países a adotarem suas sugestões. O objetivo delas é atrasar os cortes de emissões e incluir no texto do acordo de Copenhague uma série de concessões para reduzir custos. O governo brasileiro, com sua proposta de redução voluntária segue a orientação dessas empresas cujo principal objetivo segundo John Novak, do Instituto de Pesquisas em Energia Elétrica, é impedir "uma redução obrigatória em menos tempo do que a tecnologia suporta". A Shell vem investindo esforços no "convencimento" do governo brasileiro, diz David Hone, assessor climático da multinacional. A situação é grave. O planeta está ameaçado e os governos vêm cedendo aos interesses das grandes empresas poluidoras. A conferência de Copenhague pode acabar sem garantir nada, e o Brasil com sua proposta de redução voluntária faz o jogo das empresas.

O dilema de Yeda

6 de novembro de 2009
Acossada pelas denúncias de corrupção que corroeram a sua credibilidade, Yeda contratou uma consultoria para melhorar sua imagem. A jogada de hoje, com o anúncio de aumentos para servidores, é parte dessa estratégia. Puro marketing, como se vê pelas reações indignadas dos dirigentes do CPERS/Sindicato e da Associação dos Cabos e Soldados. Mas pode funcionar junto ao público mais desavisado. Na realidade, Yeda quer muito ser candidata à reeleição, mas seus índices de rejeição são altíssimos e os próprios tucanos reconhecem nos bastidores que ela só poderá ser candidata se reduzir pela metade a rejeição nos próximos 3 meses. Missão impossível. A outra alternativa que está sendo cogitada, e articulada principalmente pelos líderes nacionais do PSDB, é Yeda renunciar ao cargo em abril e se candidatar a deputada federal, garantindo imunidade parlamentar para enfrentar os processos que já tramitam e os que ainda virão contra ela. Se ficar no cargo até o fim, em janeiro Yeda será uma cidadã comum, sem nenhuma imunidade ou foro privilegiado. Perigosíssimo para ela. Serra não quer nem pensar em ter Yeda no seu palanque gaúcho, nem mesmo como governadora, e menos ainda como candidata. Ele já vai ter que carregar o fardo Eduardo Azeredo, que vai ser processado no STF por ser o pai do mensalão, e quer distância dos problemas de Yeda. Mas ela não quer sair antes pois tem medo do que o vice, Paulo Feijó, pode fazer nos 8 meses em que ficaria no cargo. Mais cobras e lagartos podem aparecer. Tomara!

O futuro da América Latina em debate

28 de outubro de 2009
O golpe em Honduras escancarou mais uma vez a polarização política que vive o nosso continente. O golpe contra Chávez na Venezuela havia sido o ápice dessa tensão. Derrotados pelo povo que foi às ruas e trouxe seu presidente de volta ao poder, os golpistas seguem tentando derrotar a revolução bolivariana. Nesse meio tempo tivemos a eleição de Evo Morales na Bolívia e de Rafael Correa no Equador, países onde a tensão também é grande pois, assim como na Venezuela, lá também a burguesia local e o imperialismo não se conformam em perder o controle sobre os recursos naturais, especialmente petróleo, gás e terras. Em Honduras a desculpa para o golpe seria uma suposta tentativa de Zelaya de aprovar a possibilidade de reeleição. Na verdade, a direita quis evitar a convocação de uma Assembleia Constituinte que poderia, a exemplo de Venezuela, Equador e Bolívia, mudar a estrutura política do país, aumentando a participação popular e colocando os recursos naturais a serviço dos interesses nacionais. Lula é a ponta mais atrasada desse processo, e acaba funcionando como uma espécie de "contra-exemplo" para os governos direitistas, como o de Uribe na Colômbia, criticarem a suposta radicalização de Chávez e seus aliados. Vamos fazer esse debate amanhã, quinta-feira, às 19h na sala 601 da Faculdade de Educação. Estarei eu, que estive acompanhando as eleições no Uruguai, a Fernanda Melchionna, que esteve no Peru como delegada ao encontro dos estudantes do Partido Nacionalista, e o Rodolfo Mohr, nosso jovem que esteve acompanhando a luta contra o golpe em Honduras. Aberto a todos os interessados!

1989 – O ano que mudou o mundo

27 de outubro de 2009
Excelente registro histórico do jornalista norte-americano Michael Meyer sobre os acontecimentos que mudaram o mundo em 1989. "1989 - O ano que mudou o mundo" relata os bastidores dos acontecimentos que nossa geração assitiu pela televisão, e talvez não tenha tido, na época, sua total dimensão. Na Polônia, Meyer acompanhou o renascimento do sindicato Solidariedade, cujo líder, Lech Walesa, viria a ser presidente. Na Hungria, o primeiro "furo" na cortina de ferro. Em Praga, Tchecoslováquia, ele esteve com Vaclav Havel, também futuro presidente daquele país quando aconteceu a Revolução de Veludo. Assistiu, ainda, a execução do ditador da Romênia Nicolae Ceausesco. Mas o momento culminante foi a queda do muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, que Meyer assistiu do lado leste da fronteira, e se juntou aos alemães que dançavam no alto do Muro da Vergonha. Os acontecimentos de 1989 deixaram profundas marcas na esquerda de todo o mundo. Muitos lamentaram a "morte do socialismo", mas outros tantos, como eu, viram naqueles acontecimentos a rebelião de um povo cansado da opressão e da miséria, em um sistema que nada tinha em comum com a idéia generosa do socialismo de Marx, Lênin e Trótsky. Em busca de liberdades democráticas e do fim da penúria econômica, esses povos acreditaram que o capitalismo era o caminho, pois do socialismo só conheceram uma grotesca imitação. O livro de Michael Meyer nos conduz às entranhas desse processo, fornecendo elementos para que cada um chegue às suas próprias conclusões. A mais evidente, contrariando os profetas do capitalismo, é que a história não acabou.

Governar com Judas?

26 de outubro de 2009
A declaração de Lula, de que no Brasil Jesus teria que se aliar a Judas se quisesse governar, continua rendendo polêmica. Fui chamada a opinar em programa de rádio nesta manhã (9h30 na Gaúcha). Na verdade a discussão é sobre a legitimidade das alianças que Lula e o PT vêm fazendo, juntando-se a Collor de Mello, Sarney, Renan Calheiros e muitos outros da mesma espécie mas menos famosos. Tudo seria em nome da governabilidade, pois sem essas alianças Lula não conseguiria governar. Então quero discutir justamente isso. Afinal, para que tipo de medidas Lula necessita desses aliados? Seria para aumentar o salário mínimo, ou as aposentadorias? Seria quem sabe para acabar com o fator previdenciário que penaliza brutalmente quem vai se aposentar? Ou seria para implementar a proposta que regulamenta o imposto sobre grandes fortunas (aliás, proposta de minha autoria que há mais de ano aguarda votação)? Ou seria para a ampliação dos gastos na saúde ou educação, cortando as despesas com a dívida pública, que de fato é a maior no orçamento de cada ano? Não, nada disso. Lula precisa dessa base de sustentação para fazer o exato inverso disso tudo. Por exemplo, para impedir que o projeto que acaba com o fator previdenciário e o que aumenta as aposentadorias e pensões seja votado na Câmara. Para isso ele conta com os precisos apoios de Michel Temer, presidente da Câmara, e do PMDB, que controlando a pauta das sessões não põe as propostas em votação. Dou esse exemplo bem concreto para que todos compreendam o mecanismo da governabilidade. Ela serve para que medidas contra os interesses do povo sejam aprovadas ou mantidas, e não o inverso. Para aprovar medidas populares, o governo não necessitaria negociar com nenhum Judas. A pressão popular se encarregaria de garantir a governabilidade. Quem precisa de um Judas para se garantir é por que não está fazendo coisa boa!

O debate sobre 2010 no PSOL

22 de outubro de 2009
A executiva nacional do PSOL, sabiamente, adiou a conferência eleitoral do partido para março do ano que vem. Crescem as chances de Heloísa Helena disputar o Senado, e o próprio diretório estadual de Alagoas solicitou a abertura da discussão sobre quem deve substituí-la na disputa presidencial. Três nomes já foram apresentados: Plínio de Arruda Sampaio, Milton Temer e Babá. Quero deixar meu testemunho sobre os dois últimos. Além da grande amizade que tenho com eles, Milton Temer e Babá são fundadores do PSOL, assim como eu e Heloísa Helena. Rompemos juntos com o PT, enfrentamos o desafio de coletar meio milhão de assinaturas para fundar o partido, e compartilhamos a análise da falência do PT a partir do momento em que Lula deu continuidade às políticas de FHC, com a reforma da previdência, Henrique Meirelles no Banco Central, Sarney et caterva como aliados, e fundamentalmente compartilhamos a necessidade de começar ainda em 2003 a construir uma alternativa. Se não tivesse sido assim o PSOL não poderia ter disputado a eleição de 2006, o que foi decisivo para nossa construção. Há ainda a possibilidade de apoio à Marina, debate que Heloísa solicitou que fosse aberto na executiva nacional. Marina pode se converter em um símbolo progressivo e capitalizar o apoio daqueles que não querem a continuidade de Lula e nem a volta do PSDB. Isso vai depender do perfil que ela imprimir à sua candidatura e da campanha que fará. Se ela quiser mesmo se converter em uma alternativa vai ter que mostrar que de fato é diferente. O PSOL tem um bom debate pela frente.
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