Blog da Luciana

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Legítima revolta dos policiais

25 de novembro de 2009
Os policiais militares gaúchos estão em pé de guerra contra a governadora Yeda. E não é prá menos. Além de terem o salário mais baixo do país, ela ainda quer aumentar a contribuição para a previdência, em troca de um pequeno aumento que em muitos casos não vai compensar a perda com a alta da contribição. Cabe aqui uma reflexão sobre a importância dos policiais serem bem remunerados. Muitas vezes os políticos ou juízes alegam suas grandes responsabilidades e as enormes possibilidades de corrupção para defenderem aumentos para si. Teriam que ganhar bem para não se corromperem, dizem eles. Já ganham altos salários e sempre querem mais (diga-se de passagem que eu sempre votei contra aumento para políticos). Uma lógica absurda, não só porque os salários já são altos mas porque políticos e juízes se corrompem mesmo ganhando muito bem. Agora vejam a situação dos policiais. Colocam em risco a sua própria vida. Lidam diariamente com traficantes, sempre prontos a comprá-los em troca de tolerância. Muitas vezes, devido as suas dificuldades financeiras, moram nas mesmas vilas que os bandidos que perseguem. Suas famílias passam dificuldades. Muitos nem sequer têm uma moradia digna, ou pagam aluguéis que consomem grande parte do seu salário. Estão, portanto, totalmente vulneráveis às investidas dos bandidos. A corrupção nas polícias só não é maior do que na política. Melhorar a segurança da população passa por remunerar melhor os policiais, oferecer-lhes condições dignas de trabalho, a possiblidade de se orgulharem da sua função. Nenhum governo fez isso até hoje. Por isso, sofrem os policiais e sofre a população, especialmente a mais pobre, que tem mais medo do que confiança na polícia. É hora de mudar. Em 1997 os policiais de todo o país, inclusive do RS, fizeram grandes lutas, e até greves violentas. Eu mesma, junto com Roberto Robaina, hoje presidente do PSOL, estive com eles nos piquetes da greve de 1997. Nenhum policial gosta de fazer greve, nem a população de ver protestos da polícia. Mas para evitar a legítima revolta, Yeda vai ter que ceder.

Decisão misteriosa contra o bronzeamento artificial

24 de novembro de 2009
Eu não faço bronzeamento artificial. Tenho outros hábitos, entretanto, que não são recomendáveis do ponto de vista da saúde, como por exemplo, o de ingerir bebidas alcoólicas. Eu bebo com moderação, mas muitas pessoas que bebem exageram, causando danos a sua saúde e, o que é pior, colocam em risco a vida de outras. Violência doméstica, acidentes de trânsito, brigas de rua, tudo isso é potencializado pelos efeitos do álcool. A Anvisa proibiu o bronzeamento articifical, mas é estranho que parece não passar pela cabeça deles proibir o álcool no Brasil. Mas sim as camas de bronzeamento, que não são proibidas em nenhum lugar do mundo, segundo me relatou a Pati Lucero, que atua no ramo e é filiada ao PSOL. Que o bronzeamento artificial pode causar melanoma, ou câncer de pele, é sabido, e tem que continuar sendo alertado aos usuários. Assim como excesso de sol também oferece esse risco. Mas o dano, se ocorrer, é restrito à pessoa que decide fazer uso do bronzeamento, ao contrário do álcool, que dá causa a tanta violência e acidentes, nesse caso não há nenhuma repercussão para quem não tem nada com o assunto. O que afinal está por trás dessa decisão da Anvisa? Será que é o lobby dos cosméticos de bronzeamento? Ou será um certo viés "talibã" e o próximo alvo será proibir as bebidas alcoólicas? Não sei, mas as duas alternativas são péssimas. Alguém consegue imaginar outra?

Yeda volta à ofensiva contra servidores

20 de novembro de 2009
Os projetos que a governadora Yeda enviou à Assembleia são uma verdadeira declaração de guerra contra os servidores, em especial contra o CPERS/Sindicato, o mais mobilizado do Estado. Ela praticamente liquida com o Plano de Carreira do magistério. Para quem não viveu a época, vale dizer que Yeda não inovou. O tal projeto é bem parecido com o chamado "acavalamento" de níveis feito por Collares. E o aumento é ridículo. Basta ver os números: o impacto será de R$ 38 milhões, e os beneficiados são 32 mil professores. Isso dá R$ 1.187 por ano, ou seja, R$ 91,00 por mês de aumento, e essa "fortuna" só vai ser entregue para uma ínfima minoria, sem nenhuma repercussão nas demais verbas! É interessante observar como a luta contra a corrupção teve uma incidência direta na correlação de forças entre as classes no Estado, mais particularmente no embate de Yeda e seu projeto neoliberal com o CPERS. Antes da coletiva do PSOL, que reabriu com toda força a crise que havia sido fechada depois do encerramento da CPI do Detran, Yeda estava na ofensiva contra os trabalhadores em educação, e sua secretária prestes a enviar um projeto para acabar com o plano de carreira dos professores, sua maior conquista histórica. Com a crise reaberta o governo foi obrigado a recuar e a secretária inclusive caiu. Agora, entretanto, Yeda voltou à ofensiva, pois a crise foi novamente fechada depois da (melancólica) votação que enterrou o impeachment. Isso demonstra claramente como a luta contra a corrupção é importante para as lutas da classe como um todo. Ela pode enfraquecer o inimigo, e dessa forma permitir que passemos à ofensiva. Quem sabe fatos novos não vão surgir para ajudar os trabalhadores em educação a resistir a mais esse ataque de Yeda?

A vingança da natureza

O dia de ontem foi de medo, caos e morte no Rio Grande do Sul. Nada menos do que 5 pessoas morreram no Estado, esmagadas por árvores, muros ou outras coisas que desabaram sobre elas devido à força dos ventos. Um milhão ficaram sem água e mais que o dobro disso sem energia elétrica. Não é a primeira vez, nem parece que será a última, que a população enfrenta a fúria da natureza. Além do fato de que os governos nada fazem para prevenir as consequências desse tipo de evento - nem as árvores são podadas! - há um elemento que vai além de ações pontuais. O tema está em debate na Conferência de Copenhage, que eu já mencionei neste blog. É a emissão de gases-estufa que provoca o aquecimento do planeta e causa mudanças climáticas que desembocam nessas tragédias. O filme que anuncia o fim do mundo para 2012 ainda é uma mera ficção, mas se o planeta não for melhor cuidado, pode se transformar em realidade. Até agora os governos, inclusive o brasileiro mas principalmente os das chamadas "nações desenvolvidas" têm negligenciado o assunto, colocaram os interesses econômicos das grandes corporações poluidoras acima dos interesses da humanidade. Pode? A Conferência de Copenhage parece estar fadada ao fracasso. Cabe a nós encarar o assunto com a seriedade que ele merece, cobrando dos governos medidas concretas no controle do aquecimento global. É hora também, evidentemente, de solidariedade com as vítimas do momento, ajudando com roupas, alimentos, material de construção. Estamos todos no mesmo barco, e ele está à deriva!

Esquenta o debate sobre Marina

19 de novembro de 2009
A Folha de SP publicou ontem matéria em que Heloída Helena confirma sua decisão de disputar o Senado e manifesta seu desejo de apoiar a candidatura de Marina Silva. A mesma matéria dá a entender que os deputados Chico e Ivan estariam contra esse apoio, defendendo a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio. Essa informação está sendo desmentida hoje por eles em uma nota que publicamos no site. É muito bom que a bancada federal esteja unida para respaldar a resolução da executiva de iniciar as conversas com Marina, pois evidentemente nos enfraqueceríamos nesse diálogo se dois dos nossos deputados já estivessem definidos pela candidatura própria de antemão. Sobre esse diálogo com Marina estou subscrevendo junto com outros dirigentes do MES e do MTL uma carta aos militantes do PSOL (publicada na íntegra no site) em que defendemos a necessidade de, partindo dos pontos elencados pela executiva, avançarmos nas definições das condições mínimas para viabilizar esse acordo. Quero ressaltar uma das questões que levantamos nessa carta: uma das preocupações que tenho ouvido dos militantes do PSOL é que ao apoiar Marina vamos abrir mão do nosso tempo de televisão, onde poderíamos expressar nossas propostas e fortalecer o partido. Por isso acredito que reivindicar a participação de Heloísa Helena no programa de Marina é uma condição indispensável para que possamos apoiar Marina. Partindo daí discutiremos as questões programáticas, mas teremos a garantia de aparecer com a nossa cara na campanha. Temos consciência das limitações programáticas de Marina e do PV. Defender o apoio a Marina não significa embelezá-la deixando de lado nossas divergências. Ao contrário. Temos que fazer o debate, encontrar pontos mínimos de unidade que possibilitem a construção de uma candidatura que rompa com a falsa polarização entre PT e PSDB, possibilitando ao PSOL atravessar esse processo eleitoral sem cair na marginalização política, e que nos permita um canal de diálogo com o povo para preparar o futuro. Estamos apenas começando a nossa caminhada.
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