Blog da Luciana

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Crise no PT

20 de agosto de 2009
Marina Silva anunciou sua saída do PT. O senador Flávio Arns também. O líder da bancada no Senado, Aloísio Mercandante, pediu demissão do cargo. Os dois últimos por constrangimento diante do voto da bancada petista no Conselho de Ética, pelo arquivamento de todas as representações contra Sarney. Marina sai por que percebeu que não há mais espaço no PT para lutar por uma política ambiental consequente. Como ministra foi derrotada em todas as batalhas importantes que travou. Vai ser candidata a presidente pelo PV, e deve ser uma pedra no sapato de Dilma. Para nós que deixamos o PT no final de 2003, as conclusões expressas por esses senadores hoje não são novidade. O que o senador Arns disse - que foi o PT que abandonou suas bandeiras, e não ele - nós dissemos nos primeiros meses do governo Lula. Não é demais lembrar que o primeiro confronto de Heloísa Helena com o governo foi por que a bancada (com destaque para Mercadante), a mando de Lula, queria obrigá-la a votar em Sarney para presidente do Senado. Isso foi em fevereiro de 2003. Muitos diziam que ela era intransigente. Naquela época o governo Lula estava recém começando, e só os "radicais" ousavam ser uma voz discordante. Agora é mais fácil discordar, depois de tantas traições, mensalões e tudo mais. Mas não deixa de ser importante. A posição deles reflete, com certeza, as conclusões, e a pressão, de amplos setores da sociedade que perderam definitivamente as ilusões.

Seminário muito interessante

19 de agosto de 2009
A minha participação no seminário da Fundação Lauro Campos, ontem, foi muito produtiva. Pela manhã tivemos um interessante painel sobre a situação econômica mundial com os economistas François Chesnais (França), Jorge Bernstein (Argentina) e Leda Paulani (Brasil). Para sintetizar uso uma frase do professor argentino: "Não estamos vendo o início do fim da crise, como muitos dizem, mas sim o fim do seu início." Em seguida participei de painel com vários camaradas latino-americanos, inclusive um dos líderes da resistência ao golpe em Honduras. Eles estão hoje no dia 53 da resistência, mantendo uma média de 100 mil pessoas todos os dias nas ruas do país, protestando contra o golpe. Apesar da retórica de Obama, está claro que a CIA está por trás do golpe. Na verdade há uma contra-ofensiva imperialista na América Latina, uma reação à existência de governos como o de Venezuela, Equador e Bolívia, que romperam com a dependência política do imperialismo e estão implementando políticas soberanas. O golpe em Honduras e as novas bases militares na Colômbia são uma expressão clara dessa tentativa de desestabilizar esses governos e derrotar os povos que começaram a conquistar sua verdadeira independência. No Brasil, estamos muito atrás. Lula não é o Uribe, da Colômbia, mas cumpre o nefasto papel de bombeiro na América Latina, contraponto às políticas de enfrentamento ao imperialismo levadas adiante em Venezuela, Equador e Bolívia. Por exemplo, enquanto na Bolívia eles estão nacionalizando o gás, aqui o nosso subsolo está nas mãos de Daniel Dantas. No Equador foi realizada a auditoria da dívida e aqui Lula segue sem questionar a sangria de recursos que consome 30% do orçamento do país em juros.