Blog da Luciana

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“Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” Mt 6,24

17 de fevereiro de 2010
A Campanha da Fraternidade 2010, cujo lema é o título deste post, toca na essência dos problemas que afligem a humanidade: uma economia mundial que não tem como objetivo central promover o bem-estar das pessoas mas sim o lucro, o enriquecimento de poucos em detrimento da maioria. A economia capitalista não se preocupa com a destruição da natureza (que coloca em risco o próprio planeta) nem com a miséria que degrada milhões de seres humanos submetidos à sua lógica implacável. Seu objetivo é a reprodução do dinheiro, a extração da mais-valia do trabalhador e o lucro dos investidores e especuladores. Alguns vão classificar a Campanha da Fraternidade como ingênua, pois supostamente o capitalismo globalizado é uma realidade irreversível. Mas a verdadeira ingenuidade (ou má-fé) é acreditar que a economia, que é um sistema construído pelos próprios seres humanos e não um desígnio dos céus, não possa ser mudada. Basta que assim queiram os seres humanos, organizem-se e lutem para mudá-la. Fácil evidentemente que não é. Precisamos enfrentar as ideologias, como essa que preconiza como imutável a realidade da exploração e do lucro a qualquer custo, e precisamos enfrentar as próprias forças econômicas comandadas por uma pequena minoria que engendra as forças produtivas a serviço dos seus interesses. Mas não é impossível. Nos tempos da escravidão não faltavam jornalistas e "formadores de opinião" para dizer que era impossível acabar com aquele sistema hediondo. Hoje é impensável alguém defender a escravidão. Por que então aceitar que a escravidão do homem ao lucro, a exploração e a miséria são uma parte essencial da vida em sociedade?

Desabafo

2 de fevereiro de 2010
A Câmara reabriu os trabalhos nesta terça-feira. O discurso enviado pelo presidente Lula é uma ode ao seu governo e quem ouve pensa que vivemos no país das maravilhas. Não existem as enchentes que, neste início de ano, já mataram muitos dos milhares que vivem precariamente, em barracos nos morros que desabam, soterram e sufocam. O que existe é o Minha Casa Minha Vida. O desequilíbrio ambiental que gera essas mesmas enchentes e que põe em risco a vida humana na Terra também não existe. E por aí vai, passando pelas "contas em dia" quando a dívida pública consome cerca de 30% de todos os impostos pagos pelos brasileiros. Também não existem os milhares de jovens da periferia cooptados pelo narcotráfico, consumidos pelo crack, sem destino e sem perspectiva. O que existe é o Prouni, e o "fenomenal" aumento de vagas nas universidades públicas, que na verdade sequer acompanhou o crescimento vegetativo de jovens que querem estudar. Cada um sabe onde aperta o sapato, então não preciso dizer muito mais. Já o presidente da Câmara, Michel Temer, falou da alegria de vivermos a consolidação da democracia no Brasil. Sim, mas que democracia esta, hein? Está certo que se compararmos com a ditadura militar, estamos muito melhor. Mas já é mais do que hora de olharmos para a qualidade dessa democracia tão duramente conquistada. E quando olhamos, nem precisa ser muito de perto, sentimos é um cheiro de podre. Cheiro de corrupção generalizada, banalizada. Dinheiro nas cuecas, nas meias, governadores pegos no flagra que seguem governando como se nada estivesse acontecendo. Políticos, corruptos ou não, mas que não estão nem aí para o povo, só querem "se arrumar", ou só querem prestígio, poder, influência para "gerenciar" seus negócios. Ah, no dia em que a maioria do povo abrir os olhos e perceber a força que tem...
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