Blog da Luciana

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Hoje é o aniversário de Porto Alegre!

26 de março de 2010
O aniversário de uma cidade é uma homenagem aos seus moradores, que vivem suas agruras e belezas. Parabéns, moradores de Porto Alegre! Todas as semanas, quando volto de Brasília, me emociono olhando a nossa cidade lá do alto. Eu praticamente nasci aqui, pois vivo em Porto Alegre desde os 2 anos de idade. Sempre morei aqui, nunca quis ficar longe. Acabei sendo deputada federal, e numa rotina que já leva 8 anos da minha vida, toda semana viajo para Brasília. Isso só fez aumentar a minha paixão pela cidade. Adoro voltar prá casa. Claro que o amor que a gente sente por uma cidade é proporcional ao amor que a gente tem pela vida que leva nela. Mas Porto Alegre, eu acho, tem um encanto especial. Ela é grande e pequena ao mesmo tempo. Tem cinemas, shoppings, edifícios. Tem também as coisas ruins das grandes cidades, é verdade. Tem gente que vive muito mal, em barracos sem saneamento, tem violênca, assaltos, congestionamentos. Mas Porto Alegre também tem aquela coisa boa da cidade pequena. Tem a esquina democrática, onde a gente pega o microfone para falar e sempre pára gente para ouvir. Na zona sul tem gente que toma chimarrão na calçada, que caminha pela rua tranquilamente, que olha o por-do-sol e se encanta. Tem o brique, a Cidade Baixa, onde a gente encontra os conhecidos, tem o Teatro São Pedro, a calçada da fama, o Parcão. Cada um vive a cidade que lhe cabe, mas o que cabe a cada um não é distribuído com justiça. Por isso, em mais este aniversário da cidade, reafirmamos o nosso compromisso de seguir lutando para que esta linda e acolhedora cidade seja mais democrática na distribuição da sua beleza para todo o povo que nela vive, trabalha e luta.

Salário igual para trabalho igual

25 de março de 2010
Para encerrar o mês de março, dedicado à luta das mulheres pelo fim das discriminações, apresentei um projeto de lei que busca punir uma das formas mais odiosas de discriminação contra as mulheres: os salários diferentes para funções iguais. Parece mentira, mas estudos realizados pelo IBGE em 2008 demonstram que, em média, o rendimento das mulheres equivale a 71,3% do recebido pelos homens. O aumento do nível de escolaridade não diminui, mas ao contrário, aumenta a discriminação. Mulheres com nível superior recebem 60% do rendimento dos homens na mesma situação. O projeto, construído em parceria com a ANFIP - Associação Nacional dos Fiscais da Previdência busca instituir mecanismos de fiscalização através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social que conterá três campos adicionais: relativo à qualificação do cargo referente a cada trabalhador ou trabalhadora, relativo à carga horária mensal de cada trabalhador ou trabalhadora e relativo ao sexo do trabalhador ou trabalhadora. Dessa forma, a partir de um aplicativo informatizado a Receita Federal poderá, em tempo real, fiscalizar a igualdade de salários/hora entre homens e mulheres. Mas fiscalizar sem punir não resolve. Então estabelecemos uma multa com o pagamento, à funcionária, de valor equivalente a dez vezes a diferença acumulada praticada, devidamente atualizada monetariamente, além das contribuições previdenciárias correspondentes. A aprovação dessa proposta será, com certeza, um passo à frente na luta contra a discriminação da mulher no mercado de trabalho.

Que democracia é esta?

24 de março de 2010
O jornal O Globo de hoje relata que o PT monta uma campanha milionária para a sua pré-candidata Dilma Roussef. O salário dela será R$ 17.800,00 por mês. O aluguel de uma casa no Lago Sul, para a sua moradia em Brasília, sairá por R$ 12 mil. Será realizado ainda um contrato com empresa de jatos executivos, o aluguel de um andar inteiro em um hotel onde funcionará o escritória da pré-candidata, mais o aluguel de dois andares em um prédio para o comitê, e locação de carros para a pré-candidata e seus seguranças. Isso é apenas o que se chama de "pré-campanha", que deve chegar a cerca de R$ 250 mil em três meses, segundo o jornal. Mas o presidente do PT, José Eduardo Dutra, diz que esses gastos são "peanuts", amendoins em inglês, o que significa, digamos assim, "troco" pois o grosso das despesas será na campanha, com rádio/TV e material gráfico. O Globo não revela nada sobre a pré-campanha de Serra, mas esta certamente não ficará atrás da de Dilma. Diante dessa realidade, como podemos afirmar que o Brasil vive mesmo uma verdadeira democracia? Como se pode fazer uma disputa justa diante de tamanha desiguladade? O PSOL não terá nada próximo a essa estrutura. Nem em nível nacional, muito menos estadual, com nosso Pedro Ruas. As campanhas milionárias distorcem os resultados pois vendem um produto através de marqueteiros pagos a peso de ouro. Eu vivi essa realidade na disputa pela prefeitura de Porto Alegre. Por isso defendemos o fim do financiamento privado das campanhas. Também defendemos um teto de gastos para as campanhas, que seja compatível com a possibilidade de fazer uma boa divulgação dos candidatos mas que não permita o abuso do poder econômico.

Vamos brigar pelo bolo maior!

Agora está na mão dos senadores. Vamos permitir que a Shell e outras empresas multinacionais fiquem com a maior parte dos recursos oriundos do pré-sal ou vamos comprar essa briga? Não vale a pena os estados brigarem por apenas 15% dos recursos, que é o percentual destinado aos royalties, quando o destino da maior parte pode acabar nas mãos das grandes multinacionais do petróleo. O Rio de Janeiro tem suas razões. Nenhum estado aceitaria perder recursos dessa forma. Mas é mais do que justo que TODOS os estados ganhem com o pré-sal, pois o petróleo é NOSSO, ou não é? A questão é que da forma que a lei foi aprovada, a maior parte dos recursos vai ficar é com a Shell e cia., que aliás foi a vencedora dos leilões que já aconteceram, e já adquiriu o direito de explorar 28% da área do pré-sal. A proposta que eu levei hoje à bancada gaúcha, especialmente aos nossos senadores, recupera a emenda que havia sido apresentada pelo PSOL quando da discussão do projeto na Câmara, estabelecendo que os leilões partam de um patamar mínimo de 80% dos recursos destinados à União, descontados os royalties e o custo de extração. Os royalties equivalem a 15% do total, mais 15% é o custo da extração, sobram 70%. Chega dos estados brigarem pelos 15% dos royalties, vamos brigar é pelos 70% restantes, que ninguém está debatendo para onde vão. É desse bolo que queremos garantir que 80% fique com a União, que assim terá recursos de sobra para compensar os estados prejudicados. Com a palavra, o Senado.

Justiças e Injustiças

18 de março de 2010
- Nos últimos dias recebi muitas mensagens sobre o assunto dos concursos por ter anunciado que o PSOL estava estudando entrar com um requerimento de súmula vinculante junto ao STF para obrigar a nomeação dos aprovados em concursos, pelo menos no número de vagas anunciado no edital. O estudo da nossa assessoria jurídica concluiu que seria arriscado o pedido pois a jurisprudência está longe da unanimidade neste tema. Resolvi então apresentar um projeto de lei, protocolado ontem sob o número 6991/10. É preciso acabar com a indústria dos concursos sem nomeação. Para barrar a outra manobra para não nomear, o concurso para o chamado "cadastro reserva" já há projeto proibindo o concurso exclusivo para cadastro reserva aprovado no Senado e está tramitando na Câmara. - Corretíssma a decisão do STF de determinar que o SUS tem obrigação de bancar tratamentos, procedimentos e medicamentos para quem não tem condições de pagar. É uma questão de justiça. O direito à luta pela vida não pode ser proporcional ao tamanho da conta bancária. Já basta de assistirmos na tv os dramas de mães e pais que buscam arrecadar recursos para tentar salvar a vida de seus filhos. Tratamento de saúde digno é direito humano básico. - Injustiça com os aposentados do Aerus, o fundo de pensão da Varig. Pessoas idosas, muitas doentes, tiveram a suas aposentadorias cortadas drasticamente devido à situação falimentar do Aerus. Ocorre que o governo federal não aceita pagar o que deve à velha Varig, o que possibilitaria que esta pagasse suas dívida com o Aerus e este com os aposentados e pensionistas. Uma decisão liminar havia determinado ao governo que pagasse a complementação, mas o STF derrubou. Mais uma decepção na difícil caminhada rumo à justiça.

Quem ganha com a briga entre os estados?

17 de março de 2010
A polêmica envolvendo a distribuição dos royalties do Pré Sal, instalada pela aprovação da chamada emenda Ibsen, está deixando de lado um aspecto fundamental da questão. A briga está restrita a cerca de apenas 15% dos recursos, que é a fatia dos royalties. Outros 15%, mais ou menos, é o custo da extração. Sobram 70% dos recursos que serão gerados pelo pré sal e que ninguém está debatendo para onde vão. Na verdade esta fatia, a maior, será distribuida entre o governo federal e a empresa que vencer o leilão para exploração de cada área. Mas quem decide qual o tamanho da fatia que vai para a União, e qual vai para a empresa vencedora do leilão ( Shell, Texaco, etc..)? Será definido em cada leilão, onde, sabe-se, as grandes multinacionais do petróleo constituem um grande cartel. A União pode acabar com apenas 1% deste total pois não há mínimo previsto na lei! O PSOL havia apresentado uma emenda ao projeto original do governo, determinando que os leilões devem começar com um mínimo de 80% desta fatia destinada à União. Esta é média mundial. Mas nossa emenda foi rejeitada. O Senado pode rever esta decisão da Câmara, estabelecendo este mínimo de 80% para a União, e tirar daí os recursos para ressarcir os Estados produtores que perdem com a partilha universal dos royalties. Mas quais parlamentares terão coragem de se opor aos interesses da Shell? Aliás, foi esta empresa que ganhou as licitações das áreas do pré sal que já foram licitadas pelas regras antigas instituidas por FHC, de concessão e não partilha. Na verdade estamos discutindo sobre 72% do pré -sal pois 28% já estão nas mãos da Shell. E por fim, é preciso dizer que no ano passado o governo desviou R$20 bilhões dos recursos arrecadados em royalties de petróleo, usando para pagar a dívida pública e não para os investimentos determinados por lei. O Rio de Janeiro chora por R$ 5 bilhões, e está no seu direito. Mas não seria melhor brigar com o governo federal e deixar os demais Estados também ganharem com esta riqueza que, afinal de contas , pertence a todos os brasileiros?
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