Blog da Luciana

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Fim do fator previdenciário não quebra o Brasil!

7 de maio de 2010
Com a aprovação do fim do fator previdenciário, em votação na Câmara na noite de terça-feira, voltou-se a falar do famoso déficit da Previdência. Uma grande mentira. A seguridade social é superavitária. O que acontece é que o governo retira recursos da seguridade para repassar a outros órgãos. No primeiro semestre de 2009 o superávit foi de R$ 20 bilhões. Em 9 anos foram retirados da seguridade mais de R$ 114 bilhões. Isso sem considerar a DRU. Esse mecanismo permite que o governo desvie 20% da receita da seguridade para outros fins, por exemplo, para o pagamento da dívida pública. Sem a DRU o superávit da seguridade entre 2000 e 2007 teria sido de R$ 400 bilhões. A seguridade é composta pelas contribuições dos trabalhadores e aposentados e por outras constribuições, como a COFINS e a CSLL, pagas pelas empresas. Mas o governo e os economistas neoliberais omitem essa informação, como se o cálculo devesse ser feito só com as contribuições das pessoas. Por isso falam em déficit. O problema do Brasil não são os aposentados, mas sim a dívida pública, que consome 36% do orçamento do país. Isso sim está quebrando o Brasil. Quando falam em responsabilidade fiscal não mencionam esse grave problema, sempre querendo colocar nas costas do trabalhador os problemas financeiros, arrochando salários e aposentadorias. O fator previdenciário fez o governo economizar R$ 10 bilhões em 10 anos, portanto custa R$ 1 bi/ano. Portanto o fim desse mecanismo perverso que faz quem se aposenta perder poder aquisitivo não vai quebrar o Brasil, vai sim é movimentar a economia pois esse dinheiro em circulação será muito útil para o Brasil. Não se enganem com falsos discursos dos que estão interessados em seguir transferindo renda dos trabalhadores e aposentados para o mercado financeiro e os especuladores!

Caixa-dois do PTB na prefeitura de Fogaça?

3 de maio de 2010
Relegada à página policial de ZH, a notícia política mais importante de hoje é a possibilidade do MP ampliar número de denunciados no caso Eliseu, incluindo políticos do PTB. Disse o promotor Eugênio Amorim: "Tudo indica que existia um esquema de caixa-dois no PTB, e o Eliseu foi contra ele ao cancelar o contrato com a empresa Reação." Segundo a matéria da ZH, a suspeita estaria baseada em depoimentos colhidos pelo MP. Mas a polícia segue agarrada na tese do assalto, e com ela os políticos do PTB e até alguns jornalistas. No final de semana uma matéria "plantada" pela polícia falava de um vídeo supostamente muito importante no qual os próprios bandidos "confessavam" que foi só um assalto, nada de execução. O experiente jornalista das páginas policiais escreveu que seria fundamental que o tal vídeo viesse à tona. Seria de rir se não fosse para chorar. Que importância tem um vídeo gravado pela polícia onde os bandidos negam a tese de execução? ZERO! A verdade é que a situação está cada vez mais complicada, mas a operação-abafa está mais forte do que nunca. A morte suspeita de Eliseu Santos é uma pedra no caminho de Fogaça, afinal, foi no governo dele que a propina teria corrido solta, com ou sem a concordância de Eliseu, pois o fato dele ter cortado o esquema não prova que em algum momento ele não concordou. Mas não vale a pena falar dos mortos. Falemos dos vivos: Fogaça foi embora e não explicou nada, por isso a CPI segue na pauta!

1° de maio é Dia do Trabalhador, não do trabalho!

30 de abril de 2010
Amanhã é o Dia do Trabalhador, e não do trabalho como dizem muitos comunicadores. Infelizmente este dia anda mais parecido com um feriado do que com um dia de luta. Aqui no Brasil, pois pelo mundo afora há muitas manifestações e lutas combativas que acontecem no 1° de Maio. Em Porto Alegre tivemos hoje algumas manifestações que antecipam a comemoração do 1° de Maio. Eu estive em duas hoje. Uma na porta da garagem da empresa de ônibus SOPAL, que nos últimos meses demitiu mais de 140 trabalhadores. Fomos lá (eu, a vereadora Fernanda, o presidente do PSOL Roberto Robaina, entre outros) a convite do Emerson, dirigente rodoviário e suplente de vereador do PSOL, fazer um protesto contra as demissões e o desrespeito da patronal com os trabalhadores. Desrespeito que também acontece em relação à população, como bem lembrou o Arilton, nosso companheiro dirigente da Associação dos Moradores da Vila Santa Rosa, na zona norte da Capital. Os ônibus por lá só andam lotados e a população da região sofre muito para se locomover. Também estive, junto com Robaina, no encerramento da vigília pelas 40h semanais, promovida pela Federação dos Metalúrgicos. O proejto que institui as 40h semanais está tramitando na Câmara, e há muita resistência da patronal. Um dos dirigentes que discursou no ato lembrou que não podemos aceitar as 40h junto com banco de horas, pois dessa forma não há contratação de novos trabalhadores. A meta é para cada 15 empregados hoje, mais um será contratado com a implantação das 40h. Os metalúrgicos também reivindicam 10% de reajuste salarial. O PSOL está empenhado nessa luta no Congresso Nacional!

Notícias de Brasília: aposentados, Ficha Limpa e Lei da Anistia

29 de abril de 2010
Segue a novela dos 7% ou 7,71% de reajuste. O governo insiste nos 7% mas a oposição barganha um pouquinho mais. Ainda não há acordo para votar pois os deputados não querem votar um percentual que depois será revisto pelo Senado. O problema é que a verdadeira reivindição dos aposentados não está sendo discutida. É o fim do fator previdenciário e a revinculação com o reajuste do salário mínimo. Neste ano, por exemplo, o salário mínimo aumenta 9,68% enquanto os aposentados que ganham acima do mínimo ficarão com no máximo 7,71%. Assim vão perdendo poder aquisitivo, quem se aposenta ganhando 5 salários em pouco tempo está ganhando 3, 2, 1... Já o fator previdenciário faz o corte na largada da aposentadoria. Talvez não haja nada mais unânime na sociedade brasileira do que o fim do fator. O governo não deixa votar por isso. Seria aprovado. O relator na CCJ, deputado José Eduardo Cardozo, propôs emendas que desfiguram bastante o projeto. Ele quer que o cidadão condenado em segunda instância, ao fazer o recurso, possa obter um efeito suspensivo, o que permitiria a sua incrição como candidato. Não houve a votação devido a pedidos de vistas. Michel Temer está prometendo votar a urgência em Plenário na terça-feira, e se aprovada, já seria votado o projeto, independente da CCJ. A questão é que versão da proposta vai prevalecer. Começou o jugamento da Ação de Descumprimento de Preceito Constitucional apresetada pela OAB contra a interpretação da Lei de Anista (1979) que impede o julgamento e punição de torturadores e assassinos da ditadura militar. Vejam no meu blog de ontem uma análise do tema. O ministro Eros Grau leu seu voto, contra a OAB, mas os demais ministros ainda vão se pronunciar. No STF, uma vitória contra os torturadores é muito difícil, mas vamos seguir atentos ao tema pois ele não se encerra no STF. No dia 20 de maio a Corte Interamericana de Direitos Humanos vai julgar um processo contra o Brasil devido aos desaparecimentos na Guerrilha do Araguaia. Ali sim deve haver condenção, e uma exigência de revogação dos obstáculos ao julgamento e punição dos torturadores.

Decisão histórica no STF

28 de abril de 2010
O julgamento da ADPF da OAB ainda está em andamento mas deixo aqui algumas reflexões sobre o tema pois lá estive acompanhando o início dos debates. Os argumentos expostos pelo jurista Fábio Konder Comparato em nome da OAB e também pelas entidades que lá estavam na condição de amicus curi da ação da OAB são contundentes. Comparato começou perguntando se é lícito e honesto que os governantes e subordinados que tenham mandado ou executado crimes de incomum violência fiquem impunes graças a uma lei que lhes concedeu uma auto anistia? Uma pergunta a ser respondida, não só pelo STF, mas pela sociedade brasileira. Os representantes do governo Lula que usaram da palavra – a AGU e a Procuradoria Geral da República – o fizerem contra a OAB, e seu principal argumento foi a intenção do legislador ao fazer a lei. Falaram até de um amplo debate na sociedade, da luta de artistas e cidadãos pela anistia ampla geral e irrestrita, como se a luta da sociedade brasileira por anistia tivesse sido para garantir impunidade aos torturadores. A bandeira da anistia ampla geral e irrestrita era para garantir que ela atingisse aqueles que participaram da guerrilha e não para os agentes públicos que em nome do Estado prenderam os supostos criminosos e depois, à revelia das leis deste mesmo Estado que eles defendiam, torturaram, mataram ou despareceram com aqueles que estavam sob sua tutela. Que grande debate teria sido esse, se a abertura foi totalmente controlada pelos militares, e a lei, votada em 1979, ainda em um ambiente repressor, sem nenhuma liberdade para a divergência, com um Congresso totalmente controlado pela ditadura e ainda com senadores biônicos? Toda lei anterior à Constituição só é recepcionada por ela quando não viola seus preceitos fundamentais. Comparato lembrou que o próprio STF revogou a lei de imprensa, que é de 1967, em 30 abril de 2009, reconhecendo que ela violava os preceitos fundamentais da Constituição de 88. O preceito fundamental da nossa Constituição que está sendo violado é o que declara a tortura como crime inafiançável e imprescritível. Então, mesmo que a lei tivesse de fato concedido a anistia aos agentes públicos que mataram e torturaram, ela teria perdido a sua validade a partir da constituição de 88. Mas a questão é que a própria lei não teria incluído os torturadores e assassinos na sua abrangência. Ela fala em crimes políticos ou conexos. Nesse caso a pergunta é: os crimes praticados pelos agentes de repressão têm caráter de crime político ou são conexos a esses?

Aposentados: 0,71% a mais é manobra para não votar o que importa

27 de abril de 2010
As centrais sindicais, que à revelia do desejo da esmagadora maioria dos aposentados deste país, fizeram um acordo com o governo sepultando o projeto do senador Paim que dá fim ao fator previdenciário e refaz a vinculação entre o reajuste do mínimo e das aposentadorias, agora querem "mostrar serviço" e lutam por um reajuste 0,71% maior do que o governo quer dar. É brincadeira! Toda essa pressão, a qual se somam inclusive partidos da base do governo, seria muito mais útil se fosse canalizada para votar os projetos do Paim. Basta que sejam postos em votação. Nem precisa fazer acordo pela aprovação, pois lá na Câmara até as poltronas sabem que se esses projetos forem à votação serão aprovados. Lembram da polêmica em torno das votações em ano eleitoral? Pois é, na verdade o governo conseguiu barrar todos os projetos importantes, principalmente esses. Nada que seja realmente importante ao povo vai para a pauta antes das eleições. O senador Paim já cumpriu um papel importante ao apresentar e conseguir aprovar os projetos no Senado. Terá muitos votos - e é provável que consiga a reeleição - graças à luta em defesa dessas causas. Mas agora é a hora de usar sua popularidade e principalmente o fato dele ser do PT - justamente o partido que está segurando essa votação - para exigir a votação dos projetos. Os aposentados não querem só 0,71% de aumento a mais. Querem o fim do fator e reajuste igual ao mínimo. Essa é a luta, não adianta manobrar!

Salvar Brasília e o Brasil

22 de abril de 2010
Ontem foi o anivérsário de 50 de Brasília. Politicamente a cidade segue em um impasse. O novo governador eleito e recém empossado, Rogério Rosso, do PMDB, já enfrentou protestos. Suas vinculações com Arruda e Roriz são bem conhecidas e dos 13 deputados que lhe deram a vitória, pelo menos 10 são investigados por irregularidades. O Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, segue defendendo a intervenção no Distrito Federal, mas o STF parece surdo e o governo Lula também não quer esta responsabilidade. Resta a única alternativa: o povo tomar a política em suas próprias mãos e exigir mudanças. Isso poderia acontecer já, através da intensificação da mobilização, mas esta não parece a hipótese mais provável. O nível de cetiscismo é tão alto que fica cada vez mais difícil fazer as pessoas se mexerem, principalmente em Brasília. O grupo de estudantes que protestou ontem foi heróico. Mas as eleições também serão uma oportunidade para o povo tomar a política em suas mãos. Não só em Brasília, no país inteiro. Se o fenômeno que criou e fortaleceu o Projeto Ficha Limpa se repete e se amplia nas eleições os resultados podem ser melhores do que o esperado. Ontem foi o aniversário de 50 anos de Brasília. Politicamente a cidade segue em um impasse. O novo governador eleito e recém empossado, Rogério Rosso, do PMDB, já enfrentou protestos. Suas vinculações com Arruda e Roriz são bem conhecidas e, dos 13 deputados que lhe deram a vitória, pelo menos 10 são investigados por irregularidades. O procurador geral da República, Roberto Gurgel, segue defendendo a intervenção no Distrito Federal, mas o STF parece surdo e o governo Lula também não quer essa responsabilidade. Resta a única alternativa: o povo tomar a política em suas próprias mãos e exigir mudanças. Isso poderia acontecer já, através da intensificação da mobilização, mas essa não parece a hipótese mais provável. O nível de ceticismo é tão alto que fica cada vez mais difícil fazer as pessoas se mexerem, principalmente em Brasília. O grupo de estudantes que protestou ontem foi heróico. Mas as eleições também serão uma oportunidade para o povo tomar a política em suas mãos. Não só em Brasília, no país inteiro. Se o fenômeno que criou e fortaleceu o Projeto Ficha Limpa se repete e se amplia nas eleições os resultados podem ser melhores do que o esperado.
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