Blog da Luciana

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Quem mais paga impostos no Brasil?

30 de maio de 2010
Neste final de semana iniciamos aqui no RS, com a presença de Plínio, o debate sobre o programa de governo do PSOL para o Brasil. Um dos temas que mais me interessam, e que me parece ser central, é a questão da reforma tributária. Eu participei da Comissão da Reforma Tributária na Câmara, e lá apresentei, em nome do PSOL um conjunto de propostas que estão disponíveis no link Mandato. Recente artigo publicado no Estadão traz dados interessantes para reforçar as nossas propostas: Uma pesquisa da FIPE em 2004 calculou que a carga tributária chegava a 48,8% da renda para famílias que recebem até dois salários mínimos, contra 26,3% da renda das famílias que recebem mais de 30 salários mínimos.Índices semelhantes foram divulgados pelo IPEA em 2008, apontando um aumento da incidência sobre os mais pobres pra 53,9% da renda, contra 29% dos mais ricos. Isso é assim pois o imposto sobre o consumo e o salário é muito maior do que o imposto sobre a propriedade e a renda. Quem consome tudo o que ganha paga mais do que quem adquire propriedades e faz aplicações financeiras. Os números mostram que as famílias mais pobres suportam uma carga tributária 86% superior a das mais ricas, e essa regressividade vem avançando no governo Lula. Nesta semana volta à pauta da CCJ o meu projeto de regulamentação da criação do Imposto sobre as Grandes Fortunas, previsto na Constituição e nunca aplicado. PSDB e DEM vão vir com a ladainha contra novos impostos. A questão não é essa. A questão é quem paga, e quem deveria pagar mais.

Notícias de Brasília

26 de maio de 2010
Manobra contra o piso dos policiais: A semana começou tensa, com a disputa em torno da votação ou não da PEC 300. Depois do fiasco da semana passada, promovido pelo presidente interino Marco Maia, o presidente Michel Temer resolveu criar uma comissão para analisar o texto da PEC. Na verdade o objetivo é convencer a categoria a aceitar a retirada do valor do piso do texto. Pelo que pude perceber há uma certa divisão nas lideranças a respeito do tema. Estive com os dirigentes da ABAMF e o presidente Leonel Lucas me pediu que não aceite a retirada do valor do piso. Assim vou proceder. Mas a manobra está em andamento. Precisamos de mais segurança nas estradas, para isso, mais policiais rodoviários no RS: Depois de muito esforço foi aprovada a MP 479/09, que fez diversos ajustes nas leis de carreiras do Executivo. Uma das mudanças importantes foi a permissão para que servidores recém ingressados na Polícia Rodoviária Federal possam ser removidos antes de cumprido os três anos de estágio probatório. Já foram gastos mais de R$ 2 milhões com diárias de viagens para servidores que cobrem temporariamente déficits de pessoal. O RS é um dos mais atingidos. Agora também vai ser possível chamar os excedentes do último concurso, que estavam lutando pela nomeação. Bancada do agronegócio não quer desapropriação de áreas com trabalho escravo: Vamos intensificar a pressão para que seja colocada na pauta a PEC que determina a desapropriação de áreas onde seja encontrado trabalho escravo. Embora já tenha sido aprovada em primeiro turno, ela enfrenta resistências grandes dos parlamentares ligados ao agronegócio. Dados do Ministério do Trabalho indicam que quase 4 mil pessoas foram resgatadas em situação de trabalho escravo em 2009. O senador José Nery, do PSOL/PA, está à frente dessa luta. Segue a expectativa em torno do veto do presidente Lula ao reajuste dos aposentados e ao fim do fator previdenciário. O ministro Paulo Bernardo defende não só o veto ao fim do fator mas também ao reajuste de 7,7%. Ele propõe que seja dado um abono de 6,14% e que a MP seja vetada na íntegra. Lula ainda não decidiu, mas parece muito confiante nos altos índices que a sua candidata Dilma tem obtido nas pesquisas. Aposentados vão ter que dar o troco nas eleições!

O Brasil na Corte interamericana de Direitos Humanos

25 de maio de 2010
É vasta a jurisprudência do Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos no que diz respeito a considerar as leis de “auto-anistia” incompatíveis com os compromissos assumidos pelos países com o Sistema. Elas impedem que perpetradores de graves violações aos direitos humanos sejam julgado e punidos. A obrigação de trazer à justiça e punir os perpetradores de graves violações dos direitos humanos, como expressão do direito à garantia, é suportada em lei: No artigo 2 º do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos,no artigo 1 º da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, na Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Tratamentos Desumanos ou Degradantes (artigos 4 º, 5 º e 7 º), na Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura (artigos 1 º e 6 º), nos artigos I e IV da Convenção Interamericana sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas. A jurisprudência também é vasta neste sentido. Apenas para exemplificar, no acordão do dia 14 de março de 2001, processo Barrios Altos x Perú, a Corte Interamericana de Direitos Humanos é peremptória: “São inadmissíveis disposições de anistia, prescrição e o estabelecimento de excludentes de responsabilidade que pretendam impedir a investigação e sanção dos responsáveis pelas violações graves de direitos humanos, tais como a tortura, as execuções sumárias, extralegais ou arbitrárias e as desaparições forçadas, todas elas proibidas por contrariar direitos inderrogáveis reconhecidos pelo Direito Internacional dos direitos Humanos". Mesmo assim o Brasil defendeu, sexta feira, a sua Lei de anistia perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos, instância de direito internacional acionada por familiares de vítimas da ditadura militar. O embaixador brasileiro em San José, Tadeu Valadares, que representa Brasília na audiência disse que a lei de anistia foi produto de "um pacto nacional" que permitiu a redemocratização e a reconciliação da sociedade brasileira, e sua revogação é um risco para a estabilidade do país. ABSURDO!! Pacto? Em plena ditadura, com o congresso amordaçado, a oposição cassada e presa? Quem fez este pacto? E mais, que risco há para estabilidade? Por acaso os militares tem força para dar um golpe e tomar o poder? É muita covardia ter medo de um bando de saudosistas da ditadura que hoje vestem pijama, pois nem a maioria das FFAA estaria favorável a um golpe hoje. Até por que os que cometeram violações e poderiam ser processados não são a maioria de hoje. A Corte também ouviu o testemunho de Laura Petit da Silva, cuja irmã Lúcia foi executada em 1972 e cujos restos só foram encontrados em 1996.Laura relatou que, durante os 24 anos que durou a busca de sua irmã, "não houve qualquer disposição de colaborar por parte de nenhum agente do Estado". Os parentes das vítimas são representados pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL). A diretora executiva do CEJIL, Viviana Krsticevic, criticou a falta de cooperação das autoridades e tribunais brasileiros e recordou que as resoluções da ONU e a jurisprudência de tribunais internacionais foram claras a respeito das leis de anistia que não podem ser alegadas como razão para não investigar o paradeiro de desaparecidos políticos. A Corte emitirá uma sentença em um prazo ainda não estabelecido mas considerando a sua jurisprudência é certo que o Brasil será condenado.

Legislativo está atrasado no combate à homofobia

19 de maio de 2010
O Poder Legislativo é o mais atrasado no reconhecimentos dos direitos dos homossexuais e no combate à homofobia. Essa foi a tônica das falas, ontem, no 7º Seminário LGBT que aconteceu aqui na Câmara. Recentemente o Poder Judiciário gaúcho foi pioneiro no reconhecimento do direito de um casal de mulheres em adotar uma criança. O Ministério da Saúde fez uma peça publicitária em defesa dos travestis, que diz: "Sou travesti, tenho direito de ser quem sou." Mas na Câmara temos dificuldades em aprovar até mesmo projetos de lei básicos, como a instituição do Dia Nacional de Combate à Homofobia, proposto pela deputada Fátima Bezerra em 2007. A união civil entre pessoas do mesmo sexo, então, nem se fala! Essas dificuldades são resultado do preconceito que ainda existe em amplos setores da sociedade, e em muitos casos são estimulados por setores das igrejas. Dom Dadeus Grings, o arcebisto de Porto Alegre, chegou a dizer algo assim: "Defendem tanto os direitos dos homossexuais, daqui a pouco vão começar a defender os direitos dos pedófilos." Dá prá acreditar? Por tudo isso as mobilizações LGBT são muito importantes para ir quebrando essas concepções atrasadas e criando um clima de respeito à diversidade. As paradas gay que acontecem todos os anos já deram uma contribuição grande nesse sentido. É importante também que seja ampliada a representação LGBT na Câmara Federal e nas assembleias legislativas. O PSOL vai apresentar candidatos do movimento LGBT em vários estados. No Rio de Janeiro, o ex-BBB, antropólogo Jean Willis e, no Rio Grande do Sul, o policial rodoviário federal Maicon Nachtigall são exemplos de militantes da causa LGBT que demonstram a seriedade dessa luta!

Conversa com Fábio Konder Comparato

13 de maio de 2010
Com o intuito de aperfeiçoar o projeto do ex- deputado Marcos Rolim, que modificava a Lei da Anistia, incluindo a expressão "tortura não é crime conexo" para que os torturadores não pudessem se beneficiar da anistia, fiz uma série de consultas e ontem tive a honra e alegria de conversar com o grande Jurista Fábio Konder Comparato. Chamá-lo de jurista é pouco, pois ele é muito mais do que isso. Ele é um símbolo da intelectualidade engajada e resistente, que não se acovarda com pressões e muito menos cede ao pensamento dominante, isso é, ao pensamento da classe dominante. Pois ele me sugeriu mudanças importantes na proposta, pois no seu entendimento seria inócuo mudar a lei agora, pois a anistia já foi concedida, o STF fez a sua interpretação e a mudança na lei não retroage. O que necessitamos, portanto, seria uma interpretação da lei. O STF fez a sua, mas nada impede que o Congresso Nacional, soberano, possa dizer que a interpretação feita pelo Supremo não corresponde. Por isso o projeto teria de ser interpretativo da lei e não modificativo. Assim teríamos uma chance, embora remota, de colocar torturadores no banco dos réus. Digo remota por que sabemos todos das grandes pressões para que isso não aconteça. Sabe-se que essas pressões chegaram, inclusive, aos ministros do STF. Mas não nos intimidaremos. Vamos construir esse novo projeto e lutar por ele. E contando com a ajuda de Fábio Konder Comparato a tarefa fica ainda mais gratificante.

Mudar a Lei da Anistia – proposta de Marcos Rolim

10 de maio de 2010
Inconformada com a decisão do STF de considerar a anistia válida para os torturadores da ditadura militar, recebi a informação de Suzana Lisbôa, ativista da justa causa dos direitos humanos, de que o ex-deputado federal Marcos Rolim havia apresentado um projeto de lei que acrescentava na famigerada lei da anistia a simples e defintiva frase: "Tortura não é crime conexo." Pesquisei e localizei a proposta, protocolada em 1999 pelo deputado que dedicou a sua militância aos direitos humanos e que foi uma referência nessa área. Entrei em contato com ele e pedi sua autorização para reapresentar a proposta, agora em meu nome, visto que ele não é mais deputado. Autorização recebida, estou apresentando amanhã o projeto que era de Marcos Rolim. Tal mudança legal seria desnecessária se o STF tivesse julgado diferente, mas diante da decisão daquela Corte, cabe agora tentar mudar a lei. Além do mais, o Brasil está prestes a ser julgado na Corte Interamericana de Direitos Humanos e deverá ser condenado por descumprir os preceitos com os quais se comprometeu no âmbito internacional, isto é, garantir que violaçõe aos direitos humanos sejam devidamente investigadas, julgadas e punidas. A manutenção de qualquer óbice legal ao julgamento e punição de torturadores colide com os princípios do direito internacional aos quais o Brasil, voluntariamente, se comprometeu a respeitar. Não precisamos e não devemos, portanto, aguardar uma condenção da Corte Interamericana dos Direitos Humanos.
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