Blog da Luciana

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Vamos colocar o nosso bloco na rua!

1 de julho de 2010
Foi um belo ato, ontem, na Assembleia Legislativa de SP, que oficializou a candidatura de Plínio. A presença de intelectuais de grande prestígio na academia foi uma demonstração do espaço real que o PSOL tem na sociedade. Estavam lá o geógrafo Aziz Ab´Saber, o sociólogo Francisco de Oliveira, o filósofo Paulo Arantes, o cineasta Sílvio Tendler, além da filha de Florestan Fernandes, que chegou a dizer que Florestan estaria lá se vivo fosse. Também mandaram uma saudação Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho. Plínio tem 80 anos de vida, e uma bela trajetória. É um bom orador, cativa a plateia. Não como Heloísa Helena, é claro, mas ela é um caso especial de conexão com o povo. Embora tenha alguns pontos de divergência tática com as propostas defendidas por Plínio, o discurso dele, com um forte tom anticapitalista, está no caminho correto para dialogar com o povo e ao mesmo tempo marcar que não somos parte dos esquemas dos grandes partidos. Para nós que nas prévias estivemos com Martiniano não foi fácil deixar de lado os atropelos que aconteceram nesse processo. Entretanto, agora é a hora de colocar o nosso bloco na rua. Para isso os nossos palanques nos estados têm que refletir o acúmulo do PSOL ao longo da sua breve porém frutífera vida. Nosso maior patrimônio é a coerência. Por isso também foi muito acertada a decisão da executiva de impedir a aliança com o PTB no Amapá. Em hipótese alguma o PSOL pode estar, em qualquer lugar do país, ao lado do partido de Roberto Jeferson. Aqui no RS, com Pedro Ruas, faremos o debate qualificado. Nosso programa, que em breve será apresentado a todos, vai mostrar que temos propostas concretas para melhorar a vida dos gaúchos, sem demagogia eleitoral e promessas que depois são esquecidas pelos eleitos.

Tratar desiguais igualmente é justo?

17 de junho de 2010
O Senado aprovou ontem o Estatuto da Igualdade Racial, mas esvaziou seu conteúdo, retirando as partes que realmente poderiam fazer alguma diferença na luta contra a discriminação e a desvantagem dos negros no mercado de trabalho, nas universidades, na sociedade em geral. Sobrou praticamente só uma declaração de boas intenções, o que a nossa Constituição já faz. Há um debate que considero legítimo sobre a conveniência de tratar-se os negros "desigualmente", dando-lhes "privilégios" que os brancos pobres não teriam. Mas eu pergunto: É justo tratar desiguais igualmente? Vejamos no mercado de trabalho: uma campanha do Ministério Público do Trabalho está denunciando que ser mulher, no mercado de trabalho, representa ganhar 30% menos do que um homem na mesma função, mas ser mulher e negra significa ganhar 66% menos! A desigualdade é gritante nas universidades, onde conta-se nos dedos o número de negros e negras em sala de aula, ainda menos nos cursos mais concoridos. Mas a desigualdade também revela-se em outras esferas da vida social, como no cinema ou nos bares de classe média. Simplesmente quase não há negros ou negras nesses lugares justamente por que eles são os mais pobres. E aposto que muitos dos que teriam condições financeiras não vão por que sentem-se deslocados, devido a serem tão poucos e ainda sentirem no ar o racismo velado presente na nossa sociedade. Um círculo vicioso que se alimenta e alimenta o racismo. O Estatuto da Igualdade Racial perdeu a oportunidade de incidir sobre essa realidade de forma mais contundente. Mas o debate está posto, avanços têm acontecido, e a luta vai seguir, com certeza!

O PCdoB e os ruralistas

14 de junho de 2010
O relatório sobre o novo Código Florestal feito pelo deputado e dirigente do PCdoB Aldo Rebelo vem sendo bombardeado pelas ONGs e movimentos sociais ambientalistas. Até o Ministério do Meio Ambiente, através do seu diretor de Florestas disse que "discutir um código florestal sob a ótica de apenas um setor - no caso o agrícola - é no mínimo inadequado". Já para Miriam Prochnow, coordenadora de políticas públicas da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida " é um retrocesso jamais visto. Estamos falando de 20 ou 30 anos de atraso. O que foi apresentado é um desmoronamento da legislação". Esses protestos não são exagerados. A proposta de Aldo atende diretamente aos interesses dos ruralistas, que travam uma batalha violenta (o assassinato de Doroty Stang foi uma das violências mais famosas, mas há muitas outras) contra os ambientalistas. Ele introduz o viés economicista na gestão ambiental quando trata florestas enquanto "matéria-prima" e não por sua importância biológica, ecossistêmica ou sociocultural; estabelece que estados e municípios unilateralmente poderão reduzir em até 50% os limites mínimos estabelecidos para APP nas faixas marginais aos cursos d'água. Também estabelece que um proprietário que realizou desmatamento irregular em APP, ou seja, cometeu crime ambiental, pode ser desobrigado a efetuar a recomposição florestal e ainda por cima receber incentivos financeiros do governo na forma de programas ambientais. Na prática, o fazendeiro que comete crime ambiental não recebe multa, estaria desobrigado a reflorestar o que desmatou e ainda receberia recursos do governo. Aldo também propõe a REDUÇÃO DA RESERVA LEGAL DE 80% PARA 50% NA AMAZÔNIA no caso de um estado possuir ZEE que autorize tal redução e um prazo de até 30 anos para recomposição florestal de desmatamentos ilegais e pode ser realizado com o plantio de espécies exóticas à região, ou seja, o fazendeiro poderia desmatar ilegalmente regiões de floresta primária na Amazônia, não ser multado, receber anistia de atá 30 anos para recompor a floresta e, ainda mais, nesse período introduzir monoculturas de grãos no lugar da floresta nativa. Um verdadeiro escândalo. Mas o que me estranha é o silêncio do PCdoB até agora. Um dos líderes mas prestigiados pelo partido, que foi até presidente da Câmara, não poderá estar fazendo essa proposta à revelia do partido. Então o PCdoB agora defende os interesses dos ruralistas?

Dois pesos e duas medidas

2 de junho de 2010
A ONU, numa queda de braço entre os Estados Unidos e a Turquia, aprovou um texto que condena o ataque israelense ao navio que tranportava ajuda humanitária aos palestinos, mas o texto não condena Israel e pede uma "investigação imparcial". O Irã, acusado de enriquecer urânio, recebe as maiores e mais veementes condenações do governo norte-americano. Israel, que promove verdadeiros atos de terrorismo de Estado e desrespeita todas as resoluções da ONU há décadas, tem direito a uma "investigação independente". A política externa americana resume-se a uma velha máxima: "aos amigos tudo, aos inimigos, o rigor da lei". Com a ajuda dos EUA, Israel usa a força para manter-se como um enclave no Oriente Médio. Sem a força bruta já não exisitiria mais. Minha origem familiar é judia, por isso falo com muita tranquilidade: o direito dos judeus terem seu país é legítimo, mas esse direito não pode ser exercido à custa da subtração do direito dos palestinos à sua própria terra. É preciso que Israel aceite o estabelecimento de um Estado Palestino independente na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Jerusalém tem que ser democraticamente compartilhada. Os refugiados palestinos tem que ter o direito de retornar às suas casas, de onde foram violentamente expulsos. Caso contrário, o banho de sangue vai continuar. Israel pode continuar a exercer a sua força bruta, com a conivência de tantos governos que dizem respeitar a liberdade e os direitos humanos. Mas os palestinos não vão desistir nunca. Eles não têm outra opção. São gerações e gerações nascidas sob o terror israelense. É lutar ou ser esmagado. E quando a escolha é essa, na verdade não há escolha.
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