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Organizar, lutar e vencer!

Tese aprovada por ampla maioria como resolução política do I Congresso do PSOL, realizado no Rio de Janeiro, Brasil, entre 7 e 10 de junho de 2007.

FIM DE UM CICLO: PT E LULA MANTENEDORES DA ORDEM VIGENTE
ENTRANDO EM UM NOVO CICLO
DESAFIOS DO PSOL
A AMÉRICA LATINA ESTÁ EM LUTA

“O revolucionário que não consegue confiar suficientemente em si mesmo é naturalmente levado a confiar demais na ‘força das coisas’ ou na dinâmica ‘inexorável’ de uma história-destino.” Leandro Konder

Este texto é dirigido a tod@s @s lutador@s sociais que seguem firmes na perspectiva de lutar em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo, por suas demandas mais elementares e por transformações estruturais capazes de edificar o socialismo no Brasil. Somos militantes socialistas, trabalhadores, estudantes, jovens, negros, mulheres, índios, idosos, defensores da livre orientação sexual, lutadores dos movimentos populares, sindicalistas, dirigentes e parlamentares que, filiados ao PSOL, participam do debate de idéias aberto por ocasião da realização de nosso 1º Congresso Nacional.

O FIM DE UM CICLO: PT E LULA MANTENEDORES DA ORDEM VIGENTE
Vivemos um novo momento da política brasileira: chegamos ao final de mais um ciclo, desta vez o ciclo PT. Contrariando as previsões da política tradicional, o PT ascendeu ao longo dos anos 80 como possibilidade contra a ordem capitalista. No entanto, durante a década de 90 foi se adaptando ao regime político vigente, ainda que seguisse cumprindo um papel relativamente progressista, de resistência contra o neoliberalismo. Sua experiência no governo federal, porém, frustrou as expectativas daqueles que esperavam uma verdadeira mudança no país a favor dos interesses populares. A política petista que sucumbiu foi a mais preciosa, aquela que o identificava com a classe trabalhadora e por isso lhe criava possibilidades de ser um partido transformador. Restaram escombros de um partido restrito aos limites eleitorais e adaptado ao sistema. Este PT que sobrou terá peso eleitoral, mas o partido transformador da ordem capitalista esvaiu-se.

Estamos em um novo momento da implantação do neoliberalismo no Brasil. Sob Collor e Fernando Henrique, iniciou-se a redução dos direitos sociais, acelerou-se a privatização de ativos estatais e foram aprovadas medidas conservadoras na ordem financeira. Sob Lula e o PT, foram mantidas e aprofundadas as diretrizes econômico-financeiras, desarticulado o movimento social e promovidas novas mudanças legais para possibilitar a supremacia do capital financeiro. Um ajuste fiscal duríssimo destinado a garantir os rendimentos do capital financeiro e a ganhar a confiança do mercado foi combinado com uma política monetária extremamente conservadora.

Em seu segundo mandato, esta política se aprofunda. Com o apoio da maioria dos partidos burgueses, inclusive do PFL (DEM) e PSDB que limitam sua dissidência à disputa do controle do aparelho do Estado – mas para exercer a mesma política – o governo Lula se apresenta como defensor aberto de um projeto burguês associado ao imperialismo. Os usineiros tratados como heróis nacionais são paradigmáticos deste modelo, cujo maior beneficiário segue sendo o grande capital, especificamente o financeiro. Ao mesmo tempo em que intensifica a dependência do país, segue desmontando o Estado e os serviços públicos, por meio das privatizações – concessões e PPPs – e o desvio dos recursos e investimentos sociais para o pagamento da dívida pública. Por outro lado, a corrupção é crônica e sistêmica. Investigações da Polícia Federal mostram que é rotineiro o envolvimento direto da base aliada com os escândalos de desvio de recursos mostrando a promiscuidade na relação entre o público e o privado e que, para a coalizão de centro-direita do governo Lula e do PT, a corrupção tornou-se endêmica.

ENTRANDO EM UM NOVO CICLO

Em decorrência de tal cenário, o estágio da luta de classes no Brasil tornou-se ainda mais complexo; a viabilização da ordem neoliberal agora é realizada por aquele que representou o segmento hegemônico do bloco de forças contestador da transição pelo alto que as classes dominantes conseguiram impor ao país a partir do desmonte da ditadura militar, ou seja, o governo Lula e o PT. Isto acarreta uma crise para as forças de esquerda que não foram cooptadas pelas falaciosas benesses do aparelho do Estado; para as forças de esquerda que não se venderam nem se renderam. Na prática, o instrumento onde residiu o acúmulo de mais de 20 anos das lutas sociais passou para o lado da manutenção da ordem, fortalecendo o regime burguês e a aplicação do ajuste contra o povo.

Por sua vez, Lula na presidência concede a este governo características distintas dos que o antecederam na história do país. Seu simbolismo, vinculado a um passado em que construiu sólidas relações com o movimento social combativo, e sua origem anteriormente vinculada às camadas populares confundem o povo e os lutadores sociais. Mas este curso à direita foi resultado não apenas de processos objetivos, mas também de uma política de conciliação de classes defendida pelo núcleo dirigente do PT.

O PSOL nasce como resposta à falência do PT como projeto estratégico e da necessidade de mobilizar as forças sociais autênticas contra a dominação do capital. Vem, também, para recuperar a combatividade social e lutar contra o conformismo, reafirmando o protagonismo popular e a luta pelo socialismo como matriz e afirmação de uma nova proposta de esquerda.

Em apenas três anos, e num contexto adverso para a esquerda autêntica, o PSOL se tornou importante contraponto à ordem social burguesa, a seus governos e aos partidos que lhe dão sustentação. Apesar de pequeno, o PSOL se tornou conhecido e respeitado na sociedade brasileira como referência de coerência e combatividade. Prova deste fato foi a expressiva votação de Heloísa Helena nas eleições presidenciais, confirmando a existência de uma nova conjuntura onde se abre enorme espaço para um novo partido de esquerda. Ocupar esse espaço é o grande desafio que está apresentado para os que apostam na incontestável necessidade da construção de uma sociedade socialista, libertária e promotora da emancipação humana. Além disso, é o único caminho para evitar a barbárie que se produzirá na lógica da manutenção da hegemonia do capitalismo.

O espaço do PSOL é de oposição aberta e de esquerda ao governo da coalizão burguesa de Lula e do PT. Uma oposição programática, ideológica, institucional e sustentada no movimento de massas. Um partido que, buscando inserção no movimento popular e legitimidade entre os lutadores sociais, visa se colocar como alternativa socialista entre o bloco governista liderado pelo PT com os seus partidos fisiológicos e a velha direita representada pelo PSDB/PFL (DEM) que quer retornar ao poder para dar continuidade e aprofundar ainda mais o projeto neoliberal e a dependência ao imperialismo. Uma oposição de esquerda, alternativa, que nada tem ver com o projeto eleitoral do bloco PDT, PSB, PC do B, partidos pautados pelo apoio ao governo federal.

DESAFIOS DO PSOL

Esta nova situação fornece elementos que nos levam a reconhecer que o momento atual é extremamente complexo, gerador de um espectro de contradições que sinalizam um quadro de absoluta imprevisibilidade. O futuro é um horizonte aberto de possibilidades e rico em potencialidades para o PSOL. No entanto, esta conclusão por mais importante que seja apenas pressagia os desafios e responsabilidades que em sua tenra idade o PSOL historicamente já assume. Temos que converter aquilo que hoje é possibilidade e potencialidade em alternativa e força política real.

No atual estágio da luta política brasileira coadunou-se a um só tempo a crise política propriamente dita, com brechas que promovem uma possível viabilidade em favor do PSOL enquanto alternativa socialista e popular. Levando em conta os fatores imponderáveis, a consolidação e viabilização do PSOL dependem também da clareza política de verificação correta das condições históricas e conjunturais, para saber ocupar o espaço à esquerda que se apresenta. Neste sentido, será indispensável estar abertos a dialogar e disputar a energia contida nos movimentos e lutadores do povo, entre os quais aqueles que, contraditoriamente, ainda guardam expectativas ilusórias com o lulo-petismo.

Um partido socialista é necessariamente um partido com forte militância, com grande influência das massas populares e dotado de uma estratégia que acumule forças em direção ao nosso objetivo maior: o socialismo. Isto só será possível com: a devida compreensão do tempo histórico em que nos situamos; uma verdadeira revolução partidária organizativa; a necessidade de estarmos sintonizados com as lutas populares em curso em todo o mundo, mas em especial na América Latina e também munidos de um Programa condicionado pelas experiências históricas do povo brasileiro, sua formação social e pelas contradições e antagonismos que levam em conta a realidade nacional como particularidade do mundo capitalista contemporâneo.

Desde já podemos afirmar como positivos os primeiros passos do PSOL. O seu surgimento representou a aceleração da conformação de um pólo alternativo na política nacional. Constituímos em 2006 uma Frente de Esquerda que se espraiou, por todo o Brasil, com candidatos aos governos, ao senado, às assembléias legislativas, à câmara federal e à presidência da República, para denunciar o embuste do governo de coalizão e o capitalismo, e anunciar a renovação da esperança e do projeto de socialismo. No entanto, somos conscientes de que temos ainda muito a caminhar. Se mantivermos as eleições passadas como referência, perceberemos o nosso desempenho ainda incipiente nas eleições proporcionais. Soma-se a isto uma estrutura partidária pequena, pouco enraizada e com pouca inserção social dentre outros elementos que precisam ser superados.

Ultrapassar estes problemas será fundamental para enfrentar as lutas do próximo período e preparar o partido para a importante tarefa de disputar as eleições municipais de 2008 onde nos apresentaremos como alternativa, num momento em que o povo mais presta atenção na luta política. O momento eleitoral ganha importância porque cria condições de dialogar com mais eficácia no atual cenário político não marcado por grandes lutas sociais.

A AMÉRICA LATINA ESTÁ EM LUTA

A rebeldia continental produz uma complexa combinação de luta de massas com emergência de atores sociais e processos eleitorais. O que ocorre tanto na Venezuela – que cumpre importante papel no fortalecimento de um pólo de esquerda e antiimperialista – quanto na Bolívia e no Equador é conseqüência de processos de mudança desencadeados por movimentos, lideranças e setores sociais. Ali, novos atores se constituem sem as formas tradicionais de organização e impõem um programa na medida em que conquistam os setores populares para sua defesa e efetivação.

Os governos de Chávez e Evo Morales e agora, também – com nuances relevantes – de Rafael Correa, no Equador, são expressões diretas da avançada luta popular nos últimos anos e de crises ainda mais crônicas nesses países. Ali se colocaram bandeiras que os propagandistas do capital julgavam enterradas, como nacionalização, expropriação, socialismo e revolução. A nacionalização dos recursos naturais, as re-estatizações, a função do Estado em contraponto à idéia de primazia do mercado, a democratização da terra, a quebra do monopólio de grandes meios de comunicação, a democratização política, a ampliação dos gastos com políticas públicas de cunho social ganham nesses países contornos muito mais radicais e só são possíveis com a mobilização de um amplo contingente daqueles que nunca tiveram vez e voz e também por meio de uma postura de confronto com a grande burguesia e com o imperialismo, colocando o povo em movimento e afirmando a radicalidade do programa.

No Brasil o governo Lula funciona como contrapeso para conter a esquerdização latino-americana, estabilizar a crise em favor do neoliberalismo e evitar mudanças estruturais de conteúdo popular. O lulo-petismo servil e dócil ao status quo prefere os elogios de Davos às vozes críticas do Fórum Social Mundial; os afagos de Bush e do grande capital aos compromissos assumidos publicamente com o povo. Propôs-se como tarefa transformar um partido sustentado militantemente em uma máquina eleitoral financiada pelo capital.

O nosso apoio à efervescência continental não pode ser uma mera expressão de solidariedade. Devemos estar na primeira linha defendendo as nacionalizações e a ALBA como modelo de integração continental e guardando as independências necessárias. Defendemos que o PSOL diga com clareza: apoiamos as medidas progressistas e antiimperialistas na Venezuela, no Equador e na Bolívia, que façam avançar o processo de organização e mobilização do povo de todo o continente.

Reside nessas reformas um conteúdo qualitativamente transformador, em função de sua natureza democrática e antiimperialista. Estas experiências demonstram que o conteúdo socialista da luta não se afirma apenas com bandeiras de caráter imediatamente socializante, mas sim tendo como eixo da política a defesa de iniciativas democráticas e antiimperialistas, cuja realização plena somente se torna viável com o avanço de um programa socialista. Esta é a lógica clara de um verdadeiro programa de transição.

PROGRAMA

A construção de um partido de esquerda encontra sempre dois desvios possíveis. Um desvio à direita, quando se adapta à ordem vigente; e um desvio sectário, o chamado esquerdismo, quando desconsidera a correlação de forças, a necessidade da disputa institucional, as tarefas mínimas e a luta por reformas estruturais. O primeiro desvio significa transformar a disputa eleitoral e concretamente a conquista de espaços institucionais pelos quais corretamente devemos lutar, em um fim em si mesmo, quando na verdade são alavancas para o avanço da consciência, da organização e, em última instância, da mobilização do povo. Seria seguir o caminho que já trilhou a direção do PT. O segundo desvio é fazer uma política baluartista para a vanguarda esclarecida, desprezando a consciência e a luta real do povo, o que nos desvincula dos processos de massas.

O nosso programa deve levar em conta tais parâmetros. O PSOL não pode assumir eixos programáticos meramente agitativos e artificialmente radicais, pois essa retórica levaria a prática política a falsas expectativas e/ou ao seu imediato descrédito. Seus eixos, porém, não podem se desconectar da promoção da utopia e da necessidade de radicalização. O programa do PSOL é aquele que nega a domesticação e a acomodação à ordem burguesa e ao mesmo tempo desenvolve enquanto estratégia de acumulação de forças, elementos organizativos, ideológicos, sociais, políticos e econômicos voltados para a edificação da revolução socialista.

Um programa com este caráter deve partir da necessidade do apoio e da defesa das mobilizações do povo por suas demandas mais sentidas: salário, emprego, moradia, saúde, educação, saneamento básico, direitos humanos, e inúmeros outros problemas e questões, que mobilizam as forças sociais. Ressalta a importância da unidade na defesa de cada um dos itens, mas deixar claro que as soluções permanentes para estas seqüelas do capitalismo só serão garantidas numa nova ordem social e econômica. Contribuindo, enfim, para que cada demanda específica seja parte de uma luta universalizada. A luta por um outro mundo, possível e necessário.

Como decorrência, a conjuntura impõe um processo de aglutinação de organizações e atores políticos cujo leque alcança a Coordenação de Movimentos Sociais (CMS), a Marcha das Mulheres, a Via Campesina, o MST, a Intersindical, o MTL, a Conlutas, o PSOL, o PCB, o PSTU, além da Assembléia Popular, que reúne pastorais sociais da CNBB, movimentos de mulheres, e sindicatos combativos.

Esta aglutinação articula-se em favor de se construir uma agenda comum de mobilizações já apontadas no vitorioso ato do dia 25 de março, no 1º de maio combativo e, particularmente, nas mobilizações do 23 de maio de 2007. Uma agenda que dê ritmo e intensidade a uma movimentação de resistência frente às ameaças de contra-reformas que a classe dominante exige e cuja centralidade é subtrair direitos dos trabalhadores, e que o governo Lula já começa a propagandear como suas prioridades. Mas não podemos nos limitar a uma agenda de resistência. É preciso apresentar iniciativas que articulem as lutas parciais, o exercício da oposição, as disputas eleitorais e a resistência de modo geral com a luta por uma alternativa de poder.

Neste sentido, propomos eixos de um programa cujo caráter é antiimperialista, antimonopolista e antilatifundiário, assim alicerçado:
 Em uma política econômica que deve atuar no sentido de solidificar a soberania nacional e abrir relações efetivas para fortalecer a ALBA; romper com os ditames do FMI, redefinindo os parâmetros econômicos de superávit primário, juros, câmbio e reservas internacionais, oposto aos interesses do capital financeiro; estancar radicalmente a sangria das dívidas externas e internas, redirecionando a prioridade do volume dos investimentos, por meio da suspensão do pagamento da dívida externa, nunca auditada, e do tratamento da divida interna sob novos critérios; estabelecer o controle de capitais; aumentar os postos de trabalho para ampliar a massa de trabalhadores empregados; aumentar em termos reais os salários; adotar uma ofensiva política de recuperação do poder de compra do salário mínimo, e reduzir a jornada de trabalho.
 Não menos prioritário é recuperar e ampliar as funções públicas do Estado, organizando a retomada do controle de empresas e setores estratégicos – com destaque para o sistema financeiro, turbinado com o dinheiro público a fundo perdido que o PROER propiciou, e para a Vale do Rio Doce -, entregue ao capital privado em processos eivados de ilegalidades, além do sistema de telecomunicações, cuja privatização foi alvo de comprovados crimes de improbidade administrativa contra o patrimônio público. Uma reforma tributária que inverta a atual ordem de privilégios, transferindo para os que vivem da renda e da propriedade, o ônus hoje concentrado em quem depende de consumo e vive do salário conquistado com a venda de sua força de trabalho. Enfim, um modelo econômico que garanta distribuição de renda e geração de emprego, e afirme a soberania nacional.
 No atendimento às demandas essenciais da população, educação, saúde, proteção social. Luta pela garantia da educação pública, gratuita e de qualidade para todos, sistema único de saúde com universalização, gratuidade de serviços, qualidade do atendimento; políticas públicas com participação da sociedade para assegurar a segurança; contra os ataques aos direitos dos aposentados e o avanço no desmonte da previdência. Garantia do serviço público que atenda as necessidades da população promovendo a valorização do funcionalismo e a defesa de seus direitos.
 Na Reforma agrária que está diretamente associada à construção de um projeto nacional mais justo e democrático, pela garantia do acesso à terra, a quem nela trabalha, às expensas dos que dela só se aproveitam para entesourar ou para poluir o meio ambiente. Suas conseqüências corrigem injustiças, propiciam condições para combater a fome e o desemprego, para além de instituir um mercado de bens de consumo de massa, e de impulsionar práticas cooperativistas e coletivistas, tanto na produção, quanto na gestão e na comercialização.
 Na Reforma urbana cujo objetivo é reassentar sob novas bases o direito à cidade. Os investimentos devem ser dirigidos centralmente para atender demandas populares imediatas, como saneamento básico e habitações populares em áreas carentes. Simultaneamente, há que reprimir a especulação imobiliária nas áreas já urbanizadas, assim como estabelecer uma política de mobilidade urbana e transporte público de massas, funcional e qualificado, multi-modal, que diminua a utilização de veículos automotores individualizados.
 Noutra exigência central: a preservação radical do meio ambiente. Já é possível reconhecer facilmente que toda luta ambientalista conseqüente deve se voltar contra o imperialismo. Somos ecossocialistas. A ordem mundial engendra forças destrutivas em escala planetária ecoando por todos os continentes, e cujas conseqüências são decorrentes da mesma dinâmica capitalista mundial – mas não só. Há um conflito básico e inerente: ajustar os recursos ambientais à produção e ao consumo ou o consumo e a produção aos recursos ambientais. O processo de industrialização está ultrapassando a capacidade da Terra em absorver a demanda sem desestabilizar a dimensão ambiental. O PSOL defende a Amazônia como elemento de afirmação da soberania nacional e pela sua importante biodiversidade, e chama atenção para a cilada que estamos caindo para atender os interesses estadunidenses; ou seja, reprimarizar nossa economia de acordo com o que estabelece o Consenso de Washington, em nome dos interesses do agronegócios e de uma nova modelagem energética: o biodiesel.
 Na democratização radical dos meios de comunicação de massa onde devemos quebrar o monopólio da mídia, hoje na mão de poucas famílias, reavaliando as concessões, e apoiar os meios de comunicação comunitários.
 Numa Reforma Política onde defendemos medidas de democratização radical da política, com propostas como referendos e plebiscitos; prioridade para participação de iniciativas populares; revogabilidade de mandatos; caráter público do exercício político partidário com financiamento público exclusivo dos partidos e das campanhas eleitorais. Uma das questões importantes para o PSOL é tornar claro que pensar um modelo socialista e libertário não é apenas cogitar da socialização dos meios de produção, mas também dos instrumentos de governo. Reforma política, para nós, é garantir um maior controle social sobre o aparelho do Estado e sobre os serviços submetidos a regimes de concessão ou permissão, como forma de garantir o combate à corrupção, pois a mesma além de criminosa é inerente à reprodução do regime capitalista.

Sabemos que estes eixos necessitam ser detalhados em conteúdo e procedimento, mas desde já vertebram o programa de um partido que se pretenda influente sobre as massas, mas que tenha clareza sobre seu caráter de instrumento de luta contra o regime capitalista. Nosso programa não se rende à acomodação, aos limites da ordem institucional vigente, e nem em dogmatismos sectários que terminem por isolá-lo das demandas de amplos setores sociais que ainda não possuem a solidez ideológica para os passos mais avançados de nossa luta.

Nosso programa deverá ser liderado pelos trabalhadores e, dada a sua natureza antagônica aos interesses da classe dominante brasileira, jamais se pretenderá acolhido por ela. Isto implica reconhecer desde já que nossa estratégia para aplicação do programa exigirá inevitavelmente o conflito, a mobilização e a luta. Quem renunciar o conflito estará renunciando à própria possibilidade de implantar um verdadeiro programa de mudanças para equacionar as questões nacionais e democráticas. Implica reconhecer que nunca prometeremos um governo para todos, pois todos os que assim se apresentam – a história comprova -, a alguém estarão traindo. E, certamente, não será aos mais poderosos.

O PARTIDO NECESSÁRIO E URGENTE

O caráter do PSOL estará sempre alimentado pela realidade e pelos objetivos que assumir. Neste sentido, quanto maior o seu protagonismo na construção do socialismo, maior organicidade necessitará para viabilizá-lo. Se é indispensável reconhecer os indícios de incipiência que manifestamos, por conta das imensas dificuldades materiais e políticas com que, até agora, tivemos que nos defrontar, isto não nos desobriga de concluir que a força do partido se estabelece com autodeterminação e valorização de suas instâncias, obrigadas a um funcionamento regular e permanente. Só assim é garantida a efetiva democracia que se expresse na relação da direção com a militância, e do partido com sua base social, de molde a assegurar a unidade de ação para impactar vigorosamente na desconstrução da ordem social burguesa e no erigir do socialismo.

Esta unidade de ação é fundamental, ademais, porque o partido deve estar acima de suas correntes internas, assegurando a pluralidade e dedicando-se sempre à tentativa de construção de consensos, sendo este justamente um dos desafios assumidos pelos signatários deste texto. Já temos passos e precisamos avançar muito mais. Neste processo, as diferenças políticas devem ser discutidas e debatidas cada vez mais e melhor, mas sem perder de vista a importância da busca permanente da unidade de ação.

No curto prazo devemos lançar um conjunto de iniciativas para solidificação do PSOL enquanto partido de massa e radical, dentre elas: uma campanha de dimensão nacional para atrair novos filiados; uma campanha de finanças com o compromisso militante de viabilizar o partido; uma política adequada para tratar as eleições municipais de 2008, que será nossa prioridade no próximo ano, e cujo resultado terá muita importância para a consolidação do PSOL. Temos possibilidades de excelentes resultados em algumas das importantes cidades do país, e não podemos perder a oportunidade que uma campanha eleitoral nos fornece para neutralizar a cortina de desinformação que a grande mídia tenta impor sobre nossas atividades e propósitos. Não podemos, no entanto, deixar de desenvolver um programa ofensivo de formação política continuada, voltado para níveis específicos de nossa militância; seminários para aprofundar a discussão e unificação de nossas posições nos distintos temas do embate político e social.

UNIDADE PARTIDÁRIA COMO EXPRESSÃO VIVA E REAL

Os signatários deste texto chamam todos os militantes, lideranças e correntes políticas internas ao PSOL para a construção de um 1º Congresso rico em debates e cujo resultado seja o fortalecimento do próprio partido. Sem pretender negar as diferenças programáticas, estratégicas e em certa medida na própria concepção de partido, apelamos como resultado importante a ser obtido nesse Congresso à unidade política na ação.

Como forma de comprovar esta possibilidade e para apontar o caminho para os Congressos Estaduais, que deverão ser significativos espaços de materialização das deliberações democráticas do Congresso Nacional, chamamos todos os segmentos partidários, correntes, núcleos e direções para a construção de uma chapa única encabeçada por Heloísa Helena, que seja expressão da unidade, respeite a proporcionalidade e permita o avanço na construção de uma representativa direção, com o máximo de força para cumprir os desafios de consolidação partidária, para construir um partido capaz de disputar com sucesso a hegemonia na influência de massas. Em outras palavras: organizar, lutar e vencer!

Assinam:

Ivan Valente – Deputado Federal PSOL/SP e Núcleo PSOL São Caetano Luciana Genro – Dep. Federal/RS e integrante da Exec. Nac. /PSOL Leandro Konder – Professor PSOL/RJ

José Nery – Senador PSOL/PA Martiniano Cavalcanti-Presid. PSOL/GO integrante da Exec. Nac. /PSOL Chico Alencar – Deputado Federal PSOL/RJ e Núcleo Zona Sul/RJ

Edmilson Brito Rodrigues – Professor e ex-prefeito de Belém/PA Roberto Robaina- Executiva Nacional e Presidente do PSOL/RS Marcelo Freixo – Deputado Estadual PSOL/RJ

Jorge Almeida – Dir. Nac. PSOL/BA Janira Rocha – Direção Nac./PSOL e Presid. do SINDSPREV-RJ Eliomar Coelho – Vereador PSOL/RJ

Afrânio Tadeu Boppré – Dir. Nacional/PSOL/SC – Prof. Núcleo Vento Sul Edilson Silva – Presid. PSOL/PE e integrante da Exec. Nac./PSOL Milton Temer – Executiva Nacional e Presidente do PSOL/RJ

Antonio C. de Andrade (Toninho) – Exec. Nac. PSOL – Ex-Cand. ao GDF Osmarino Amâncio – Direção Estadual PSOL/AC Carlos Nelson Coutinho – Professor PSOL/RJ

Luiz Araújo – Executiva Nacional PSOL e Ex-Deputado Estadual/PA; Elias Vaz – Vereador de Goiânia e Direção Nac. PSOL/GO Mário Agra – Tesoureiro Nacional do PSOL

Lujan Miranda – Coord. Nac. Intersindical e dir. nac. PSOL/PI Pedro Fuentes – integrante da Direção Nac. PSOL/RS
Léo Lince – Sociólogo e militante do Núcleo Zona Sul PSOL/RJ

Brice Bragato – Ex-Deputada Estadual e Diretório do PSOL/ES Jefferson Moura – Direção Nac. /PSOL – Exec. RJ Renato Jéferson – Executiva PSOL – RJ – Carlos Giannazi – Jardim Primavera – Deputado Estadual PSOL/SP Sandro Pimental – Presid. PSOL/RN e integrante da Direção Nacional – Aldo Santos – Ex-vereador São Bernardo do Campo – SP – Randolfe Rodrigues, Ex-Deputado Estadual, Professor Universitário/AP Enrique Morales – Presidente PSOL – DF e direção Nac. PSOL Pedro Roberto – vereador de São José do Rio Preto PSOL – SP – Edson Miagusko – Núcleo Pinheiros e Direção Nacional PSOL João Batista – Direção Nac. /PSOL/MG dirigente do MTL Professor Luciano – Vereador Várzea Paulista – PSOL – SP – Araceli Lemos – Professora e Ex-Deputada Estadual/PA Marilda Terezinha – Direção Nacional PSOL e do MTL. – Maninha – Ex-deputada federal PSOL – DF Pedro Ruas – Advogado e Direção PSOL – RS – Miguel Carvalho – GTE PSOL – SP Gilberto Cunha – Executiva Nacional do PSOL
Horácio Neto – vereador São Caetano do Sul PSOL – SP Etevaldo Teixeira – Direção Nacional do PSOL – RS.

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